sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Doutrina de Jesus X A Doutrina da CCB



Templo da CCB com a inscrição Em Nome do Senhor Jesus

Muito se fala a respeito da missão de Jesus Cristo na Terra. Há 2000 anos pessoas de diversas nacionalidades e línguas, culturas, classes sociais, etnias, raças e até mesmo de outras crenças analisam e interpretam o significado das palavras do personagem mais importante do Mundo Ocidental: Jesus de Nazaré. Mas afinal de contas, quem realmente foi Jesus e o que ele ensinou?

Jesus nasceu na Palestina, terra disputada por diversos povos até os dias de hoje. Filho de camponeses pobres e de religião judaica, Ele caminhou pela terra prometida ao Seu povo anunciando a chegada do Reino dos Céus, e trazendo em Sua mensagem uma reinterpretação da Lei dada por Moises, a qual trazia em si mesma uma série de mandamentos difíceis de serem seguidos. Olho por olho e dente por dente? De jeito nenhum. Cristo (que traduzido significa O Ungido, Enviado) ensinou que devemos pagar o mal com o bem: e se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra (Mateus 5:39-44).

Muitos foram os ensinos proferidos por Cristo, mas sumarizando sua mensagem, podemos afirmar que o Grande Mandamento se resume a Amar a Deus sobre todas as coisas, e a teu próximo como a ti mesmo (Mateus 22: 34-40).

Através das várias Parábolas ditas por Jesus, podemos perceber que Ele não estava interessado em fundar uma nova religião, mas sim em dar aos homens o sentido real de ser uma pessoa religiosa. Aliás, Jesus repreendeu duramente por diversas vezes aqueles que acreditavam ser mais consagrados e purificados do que os outros por cumprirem (ou crerem cumprir) integralmente os mandamentos da Lei, desprezando e condenando aqueles que não procediam da mesma maneira. (Mateus 23: 13-39)

Vamos analisar a seguir duas destas sábias parábolas dadas por Cristo e estudar o seu significado:

O Próximo

Muitos religiosos cristãos acreditam que por serem batizados e fazerem parte de uma congregação, freqüentando os cultos (reuniões) semanalmente, dando a coleta (ou dízimo) e dizendo “Glória a Deus”, eles estão a um passo da salvação, aguardando somente a volta de Cristo para entrarem com Ele em Seu Reino de Glória para toda a eternidade. Mas será que eles estão cumprindo com o mandamento de Amar ao Próximo?

 1 – A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10: 25-37)

E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Desta parábola podemos aprender algo muito interessante: Amar ao próximo não é necessariamente amar aos membros da nossa congregação, assembléia ou círculo religioso, mas a qualquer pessoa com quem nos deparamos e que necessite do nosso apoio. “Descia um homem de Jerusalém a Jericó”. Não está explicito se este homem era judeu, grego, romano, branco, negro, alto, baixo, gay ou hétero. Jesus simplesmente disse que UM HOMEM qualquer caiu na mão dos salteadores, e este homem precisava de ajuda.

Um Sacerdote, um Levita e um Samaritano

No contexto judaico em que Jesus proferiu esta parábola, três personagens foram citados:

Sacerdote: Era responsável pela realização dos ritos e das cerimônias judaicas. Conhecia muito bem a Bíblia (Antigo Testamento), inclusive o mandamento de amar ao próximo.

Levita: membro de uma das 12 tribos de Israel, tribo esta que ficou incumbida de ministrar o Templo de ensinar a Lei dada por Moises. Faziam parte da Elite Teocrática de Israel

Samaritanos: População mista, em parte da descendência israelita, que os exilados de volta do cativo babilônico encontraram no Israel Setentrional. Eram os odiados vizinhos e rivais da teocracia judaica. Samaritano era para os judeus palavra desprezível e vitupério.

Agora vamos recontar esta história usando personagens e fatos dos dias atuais?

Digamos que um certo homem, um homossexual, por toda sua vida foi estigmatizado pela sociedade homofóbica que o condenava devido a sua orientação. Ele não agüentando tanta opressão, buscou na religião um escape. O ancião (sacerdote) da igreja onde ele passou a congregar, ao invés de ajudá-lo a se recuperar de todos os seus traumas e feridas morais e psicológicas, lançou ainda mais culpa sobre este homem, dizendo que ele era responsável pelo seu estado de “miséria espiritual” pois o mesmo escolheu trilhar aquele caminho, e por isso ele havia sofrido tanta humilhação e desprezo social. 

         O ancião, por fim, o exortou ao “arrependimento de sua iniqüidade”, virando-lhe as costas logo em seguida. Não bastasse isto, os irmãos (levitas) daquela igreja, ao descobrirem o motivo pelo qual aquele homem andava tão abatido e depressivo, o excluíram do seu circulo socioreligioso, não o convidando mais para os ajuntamentos realizados pelo grupo, além de propagarem fofocas a seu respeito.

Mas finalmente este homem conseguiu encontrar alguém que lhe deu o apoio necessário, alguém que tinha uma vaga noção de quem era Deus, um católico não praticante (Samaritano) que somente ia à igreja em casamentos e batizados. Uma pessoa que contém alguns vícios, na verdade, mas dotada de um grande coração. Este católico o abraçou, e lhe disse que independentemente de quem ele era e do que ele havia sofrido no passado, ele era uma pessoa amada e muito importante em sua vida.

Quem, afinal de contas, é o VERDADEIRO PRÓXIMO praticante do AMOR nesta história?


Aquele que desceu justificado

Na Congregação Cristã, existe a crença de que aqueles que estão sob a graça de Deus (a própria denominação se auto intitula assim) com “liberdade” na igreja (chamar hinos, orar em voz alta, testemunhar, tocar na orquestra e participar da Santa Ceia) são integrantes do grupo seleto de cristãos aos quais Deus separou para herdar a vida eterna. Para tanto, eles devem observar e seguir uma série ensinamentos conhecidos como “doutrina” (tais como: mulheres não podem cortar os cabelos nem usar calças, maquiagem ou jóias e os homens não podem usar bermuda, cavanhaque ou topetes no cabelo). Aqueles que foram batizados na CCB e que não têm mais “liberdade” na igreja, mesmo que congreguem regularmente são considerados “pecadores de morte”, e para estes não existe mais salvação, sendo muita das vezes desprezados pelos irmãos e irmãs que o chamam de pecadores (a CCB ensina que seus fiéis não possuem pecados, somente faltas e fraquezas, contrariando I João 1:8-10 que afirma que todos temos pecados e que aquele que diz que não peca é mentiroso). Pessoas de outras denominações cristãs são conhecidas como “seitários” pelos membros da CCB, sendo frequentemente  chamados de primos, não sendo considerados irmãos na fé nem verdadeiros cristãos. Veremos a seguir o que Jesus ensiou sobre este tipo de conduta.

2 - A Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18: 9-14)

E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.
O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.
Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Os fariseus eram homens que acreditavam ser os verdadeiros cumpridores da Lei Mosaica, se sobressaindo dentre os próprios judeus pela sua rigorosa interpretação dos mandamentos divinos. Os publicanos, por outro lado, eram meros cobradores de impostos considerados parias na sociedade judaica, sendo mal vistos e desprezados por Israel, sobretudo por sua índole especuladora, muitas das vezes subtraindo bens básicos à existência dos cidadãos para quitar suas dívidas para com os governos.

Enfim, estes dois homens subiram ao templo para orar e mais uma vez quero propor uma adaptação desta parábola para a realidade atual. Digamos que o Fariseu seja um membro fanático da CCB, que acredita estar cumprindo integralmente com os mandamentos de Deus e, o Publicano seja um gay batizado, filho de pais crentes, mas que se afastou da CCB devido ao estigma da religião contra homossexuais. Note que tanto o fariseu quanto o publicano eram crentes (ambos foram ao templo para falar com Deus).



Duas pessoas adentraram as portas da Congregação em um certo dia de culto. Por coincidência, estes eram dois rapazes nascido e criado na CCB, que até os 15 anos recitaram e tocaram juntos na Reunião de Jovens e Menores. Mateus, agora com 23 anos, músico, assíduo freqüentador dos cultos e noivo, viu Lucas, seu ex-companheiro de recitativos entrar na porta lateral da igreja cabisbaixo, com umas mechas loiras no cabelo e um brinquinho na orelha, vestindo jeans e camisa polo. Mateus logo desviou o olhar com medo de ser reconhecido pelo ex-colega de banco. Apressadamente, Mateus se ajoelhou e começou a orar, dizendo: Deus, agradeço a ti pelo perdão dos meus pecados e a coroa de vida eterna no céus, se assim eu permanecer um filho firme e fiel até o fim. Te dou graças, ó Deus,  por eu ter nascido de pais crentes e por tu não ter deixado eu jamais conhecer o mundo, fazendo de mim um músico desta orquestra maravilhosa, me dando um bom emprego numa multinacional, um carro para congregar, meu ingresso na universidade e uma das tuas filhas para ser a minha esposa. Estou sempre que possível presente nos santos cultos e não deixo que hábitos mundanos se manifestem em mim, escandalizando assim a Tua Obra. Te dou graças também, ó Deus, por me haver revelado a tua verdadeira graça, dentre tantas seitas que dizem anunciar a Cristo, me escolheste a mim para estar no único caminho que leva à vida eterna. Também te agradeço, meu Deus, por não ter deixado espíritos contrários destruírem a minha vida como esta criatura, o Lucas,  que conhece a tua verdade mas preferiu se lançar às trevas e às paixões infames. Tudo te agradeço em nome do teu filho Jesus Cristo, amém”.

O Lucas, por outro lado, nem mesmo notou seu ex-companheiro de recitativos, mas buscando um canto isolado na igreja para se sentar, se prostou de joelhos, e orou: “Senhor, graças te dou por ainda permitir minha entrada neste santo lugar e peço perdão por eu não conseguir ser tão fiel quanto a estes irmãos que aqui estão, sendo eu um homossexual”.

Eu pergunto, qual dos dois foi justificado em sua oração, Mateus ou Lucas?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Praticando o Falso Moralismo Religioso




Freqüentemente ouvimos religiosos pregar ou afirmar que a relação homossexual é em si mesma pecaminosa, já que duas pessoas do mesmo sexo não podem gerar prole, isto é, não podem ter filhos biológicos através do ato sexual.

Quem ouve este argumento tem a impressão de que o único motivo pelo qual um homem e uma mulher se casam e fazem sexo é para cumprir com a determinação divina de “multiplicar e encher a Terra de filhos”. Interessante que mesmo pessoas que há anos não abrem a Bíblia para examiná-la se valem de tal falácia para demonstrar sua oposição contra aqueles que ‘mudaram a natureza’ de acordo com seu ponto de vista heterossexual para cometer o pior dos pecados: amar alguém do mesmo sexo.

Inversão de valores culturais

Após criar o Homem e a Mulher, segundo descrito no livro de Gênesis, Deus lhes ordena: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a.(Gênesis 1:28)

Mesmo com a racionalização de que Deus teria criado UMA mulher (Eva) para UM homem (Adão), em tempos remotos, a poligamia era praticada em larga escala, isto é, um homem para várias mulheres (a mulher era apenas um objeto para satisfação sexual e procriação do homem). Davi e Salomão, dois dos personagens bíblicos mais conhecidos, tiveram centenas de mulheres e concubinas (I Reis 11:3 e II Samuel 5:13). Jacó, que mais tarde fora chamado de Israel, teve duas esposas e duas concubinas, das quais ele teve 12 filhos, filhos estes que geraram as 12 Tribos de Israel. Tudo isto com o devido respaldo dos escritores do Antigo Testamento. Salomão, a propósito, foi filho de Davi com Bate-Seba, uma mulher casada com quem o rei Davi cometeu adultério, ordenando a morte do seu esposo para que ele pudera ficar com ela. Mesmo que a Bíblia relate o arrependimento de Davi por este ato, aparentemente ele não se arrependeu ao ponto de abandonar a mulher com quem praticara o adultério, tendo com ela ainda quatro filhos (I Crônicas 3:5).

Algumas centenas de anos mais tarde, a mulher continuava sendo considerada um mero objeto sexual e procriativo do homem. Era ele quem escolhia a mulher com quem iria se casar e quem lhe geraria filhos.

Biblicamente falando, a mulher era incumbida de GERAR FILHOS. Parto Cesariana? De jeito nenhum. A Bíblia diz que com muitas dores a mulher deve ter seus filhos:

E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. (Gêneses 3:16)

Evitar filhos também parece ter sido um daqueles pecados de morte (literalmente) no Antigo Testamento, já que Deus teria matado a Onã por ele praticar aquilo que atualmente conhecemos como coito interrompido (Gênesis 38:8-10).


As coisas não parecem ter melhorado muito para a mulher no Novo Testamento. Segundo a I Epístola a Timóteo capítulo 2, versos 9 ao 15:


Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos,
Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.
A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição.
Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.
Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva.
E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.
Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.

Já é algum progresso. A mulher agora já pode se salvar, claro, se esta der à luz filhos (o que será das estéreis e das solteiras?) e se permanecer no amor e santificação, o que segundo este capítulo significa não usar jóias, não usar tranças ou vestidos preciosos e estar em completa sujeição e submissão ao marido.
Não sou eu quem estou falando isto. É a Bíblia quem diz. A mesma Bíblia usada pelos religiosos intolerantes contra os homossexuais...
ANO 2011

Religiosos usam a Bíblia insistentemente contra homossexuais, afirmando que os tais estão cometendo grande abominação por descumprir com os mandamentos do Senhor.

Mas afinal de contas, quem são estes religiosos?  

  • Homens e Mulheres que se casaram porque se amavam, mesmo sem saber se um dos cônjuges seria estéril;
  • Homens e mulheres que continuaram casados mesmo após saber que eles não poderiam ter filhos biológicos devido à esterilidade de um dos cônjuges;
  • Casais que realizam o controle de natalidade através de métodos contraceptivos: Pílulas Anticoncepcionais, DIU, Vasectomia, coito interompido, preservativos, adianto a concepção por motivos profissionais, sociais ou pessoais (criança dá muito trabalho);
  • Homens e mulheres que estão casados pela segunda ou terceira vez após terem se divorciado por qualquer motivo que não fosse o bíblicamente permitido (adúlteros) (Lucas 16:18 e Mateus 19:9);
  • Homens e mulheres que praticaram atos sexuais antes do casamento (fornicários);
  • Mulheres que não querem sentir dores durante o parto e são anestesiadas para dar à luz;
  • Mulheres que impõem suas vontades ao marido por serem independentes financeiramente;
  • Mulheres assumindo posições de liderança nas igrejas: Pastoras, bispas, missionárias, presbíteras (Veja 1 Corintios 14:34-35)
      Que autoridade têm, de fato, estes homens e mulheres que tão veementemente apontam e condenam os  homossexuais?

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. (Gálatas 5 19-21)
Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte. (Apocalipse 21:8)

Será mesmo que eles são tão santos a ponto de não cometerem NENHUM dos pecados mencionados acima? Não mentem? Não são invejosos? Não causam dissensões? Não são comilões? Não são beberrões? Não adulteraram (Veja Mateus 5:28)? Não fornicaram? Não se irritam? São puritanos? Não pussuem ou não causam inimizades? Não fumam? Não Jogam? Mais uma vez pergunto: Que autoridade tem tais pessoas para apontar e julgar um homossexual?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.
(Mateus 7:4-5)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ex ex-lésbica Lanna Holder abre igreja inclusiva em São Paulo


Lanna Holder, ex-missionária da Assembléia de Deus que dizia ter sido liberta do lesbianismo, afirma "Para ser aceita na igreja, eu tinha de professar algo que não estava acontecendo na minha vida"


Lanna Holder e sua companheira Rosania Rocha

Lanna Holder, pregadora que fez muito sucesso no meio pentecostal, e que se separou do esposo por causa de um romance homossexual, volta ao cenário religioso com uma proposta bombástica: Juntamente com sua companheira, a pastora Rosania Rocha, Lanna inaugurou no dia 3 de junho a Comunidade Crista Cidade de Refúgio, na cidade de São Paulo. “Somos uma igreja que ama a todos e não exclui a ninguém, que anseia ser UM LUGAR AOS ESCOLHIDOS, pela convicção de que Deus não faz acepção de pessoas”, diz o site da igreja.

“Com apenas 12 anos de idade conheci o lesbianismo. Aos 17, fui a uma boate gay e tive a minha primeira intimidade sexual com mulher. Logo depois desse acontecimento, saí de casa para morar com uma mulher 12 anos mais velha do que eu”, revelou Lanna em uma entrevista antiga ao portal ELNET. Sobre a experiência de conversão, ela acrescenta: “Foi no dia 12 de dezembro de 1995, aos meus 21 anos. Larguei todas as minhas práticas imediatamente. Pedi à minha mãe, que ligasse para a minha ex-companheira e avisasse que eu não iria mais voltar, pois havia me convertido. Milagrosamente o álcool, as drogas e o homossexualismo ficaram para trás.
Tendo alcançado fama depois de suas aparições no congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (Camboriú) contando o testemunho de como Deus a havia livrado do lesbianismo, a missionária contraiu matrimonio e se projetou em uma carreira singular no âmbito pentecostal. Conhecida pelos admiradores pela grande capacidade de memorizar textos bíblicos, Lanna chegou a ser uma espécie de protótipo ministerial, sendo imitada em suas roupas e gestos por centenas de mulheres assembleianas, tal como acontece hoje com o pastor Marco Feliciano.

Lanna Holder: Divórcio e relação homossexual mancham a carreira da pregadora

Revista Eclesia, ed. 130
No ano de 2003 a igreja evangélica foi sacudida por um escândalo envolvendo a missionária: um caso homossexual envolvendo Lanna e Rosania, então dirigente de louvor da World Revival Church – Igreja do Avivamento Mundial, nos Estados Unidos, Presidida pelo Pr. Ouriel de Jesus, uma igreja freqüentada por brasileiros que vivem na região. Em entrevista concedida à revista Eclésia no ano em que ocorreram os acontecimentos, a pregadora comenta: “Eu fui curada por Jesus e não tenho dúvidas quanto a isso. Fico triste quando vejo gente por aí dizendo: ‘A Lanna caiu porque não era liberta de verdade’. Isso é coisa de quem não conhece a Bíblia. As Escrituras narram que vários personagens que viviam segundo os desígnios do Senhor caíram – isso é do homem. Vemos gente que saiu do adultério voltar a adulterar; alcoólatras libertos que um dia caem e tomam a beber. A pessoa que tem um passado negro como o meu está sempre sujeita e suscetível a uma queda”.
Neste tempo, Lanna ainda se referia ao homossexualismo como uma doença pecaminosa da qual ela foi vítima durante grande parte da sua vida, e se referia ao acontecimento em termos de “queda”.

Volta aos púlpitos em 2010

Em 2010, a missionária ensaia um retorno aos púlpitos: “Sei que pequei. Não me orgulho disto e estou trabalhando minha restauração com Deus”, desabafa. Em um site dedicado ao seu recomeço ministerial, a pregadora começou a produzir e comercializar novos DVDs com mensagens, e prometeu lançar sua autobiografia com o nome “O diário de uma filha pródiga”. Na ocasião, ela publicou uma carta de recomendação em sua página web, que a apresentava novamente como pregadora. Estranhamente, a carta não contém data de emissão. Nela , a igreja Assembléia de Deus em Cidade Nova – RJ, a recomendava como membro desta igreja desde 1997. Assim, Lanna conseguiu acesso novamente ao púlpito das igrejas no Brasil

Junho de 2011: Lanna e sua companheira abrem Igreja Afirmativa em São Paulo

“O que estava em meu coração não contei a ninguém”, diz o site da mais nova comunidade “inclusiva” do Brasil. O texto encontra-se no livro do profeta Neemias e foi usado como base bíblica para justificar o fato de Lanna e Rosania não revelarem previamente ao público suas intenções. “Fomos concebidas sob essa expectativa e não vacilaremos em prosseguir para o alvo que nos está proposto pelos céus”.





terça-feira, 14 de junho de 2011

10 X 0 - STF Reconhece União Homoafetiva por Unanimidade


O Direito não regula sentimentos, mas define as relações com base neles geradas

Em 05 de Maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal Brasileiro votou e aprovou por unanimidade ( dez votos a zero) a união de pessoas do mesmo sexo, garantindo a elas os mesmos direitos e deveres concedidos aos casais heterossexuais em união estável.  A união gay passa a ser considerada entidade familiar, e a usufruir direitos tais como assistência médica, partilha de bens, herança, previdência privada e adoção de filhos. Na prática, estes direitos já eram concedidos pelo Superior Tribunal de Justiça nos casos particulares que se apresentavam, através do princípio da jurisprudência - decisões legais que se desenvolveram e que acompanham estatutos na aplicação de leis em situações de fato. A partir de agora, a decisão do STF servirá de guia para todas as decisões envolvendo casais homoafetivos, tornando o Brasil um dos diversos países que recentemente têm concedido aos homossexuais seus direitos fundamentais.

Abaixo, trecho extraído desta decisão histórica na democracia brasileira:



Indignação no meio evangélico
Pastor Silas Malafaia da AD, um dos líderes mais homofóbicos da atualidade

Esta resolução tem causado grande alvoroço entre líderes evangélicos, sobretudo entre religiosos homofóbicos, que se aproveitam do momento de pregação da Palavra para introduzirem todo o seu ódio e aversão aos homossexuais. Pregadores estão afirmando de cima do púlpito que esta lei não vale de nada e que a decisão do Supremo Tribunal Federal é uma pouca vergonha de acordo com seus próprios conceitos (os quais eles clamam serem os mesmos da Bíblia, realizando uma combinação de passagens que "parecem" apoiar suas idéias preconceituosas). Na cidade de Sumaré, um cooperador super influente não se conforma com tal decisão e tem pregado por diversas vezes contra os homossexuais e a decisão do Supremo nos últimos dias.

Anciães e cooperadores temem que os gays (os quais sempre existiram na Congregação, mas enrustidos) não se sintam mais coagidos com suas pregações dotadas de ameaças e terror e comecem a se assumir publicamente, o que já vem acontecendo em muitas localidades. Existem muitos moços, auxiliares, músicos que não mais escondem que são gays e continuam a freqüentar os cultos e reuniões para a mocidade. As pregações realizadas dos púlpitos evangélicos contra homossexuais estão mais ameaçadoras. Alguns pregadores estão quase expulsando da igreja os cristãos que assumam sua homossexualidade. Na Congregação, os gays podem permanecer na igreja desde que eles finjam e se comportem como heterossexuais. A ditadura do medo está instalada contra os gays e lésbicas.

Cada vez mais as pessoas tomam coragem para enfrentar manifestações daqueles que se dizem “guiados por Deus”, mas que acabam por destruir aquilo que o próprio Deus criou.

Anciães, cooperadores, pastores e pregadores homofóbicos em geral: Cuidado!! Vosso rebanho não é mais tão leigo quanto costumava ser. Eles conhecem seus direitos e estão amparados pela Lei.  A própria Bíblia, utilizada e manipulada por vocês diz:

Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.
Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. (Romanos 13:1-3)

 Está mais do que na hora de estes conceitos serem revistos.
Chega de Hipocresia!!!!!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um abominável cliché chamado "Abominação"

Uma Abominação



Uma lição sobre o livro de Levítico

Fundamentalistas homofóbicos geralmente recitam dois versos bíblicos que a princípio parecem condenar os homossexuais. São eles:

Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; (Levítico 18:22)

e...

Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. (Levítico 20:13)

Vamos analisar a seguir alguns outros versos das Escrituras, os quais aparecem exatamente no mesmo livro (Levítico) que os versos mencionados acima.

Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele. (Levítico 20:9)

Imagine se fossemos matar todos os filhos que fossem desrespeitosos com seus pais nos dias de hoje. Religiosos dão um jeitinho de suavizar esta passagem, dizendo que ela pertencem Velho Código Levítico de Santidade e que este verso não deve ser tomado literalmente.

Mas este verso está a apenas três versos de Levítico 20:13, um dos versos favoritos usados pelos mesmos religiosos contra gays que, claro, acreditam que este sim deve ser tomado literalmente.

Incrível, não acha?

Religiosos mudam completamente sua metodologia de interpretação bíblica quando isto lhes convém, mesmo quando se tratando de versos que estão dentro de um mesmo capítulo e contexto teológico.

E, quando um homem se deitar com uma mulher no tempo da sua enfermidade, e descobrir a sua nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão extirpados do meio do seu povo. (Levítico 20:18)

Imagine o que aconteceria se fossemos deportar ou matar todos os casais que tivessem tido relações sexuais durante o período de menstruação da mulher. Mais uma vez, os religiosos se esquivam de tomar este verso literalmente, estando ele apenas 5 versos após Levítico 20:13.

E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.
Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão. (Levítico 25:44)

Você já se perguntou onde religiosos racistas se apoiavam durante o período da escravidão negreira para justificarem que seus escravos eram meras mercadorias e que deviam ser tratados como propriedades?... Mas claro, religiosos hoje em dia dizem que estes versos não devem ser tomados literalmente.

Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba. (Levítico 19:27)

Religiosos não mais acreditam que preservar as extremidades da barba seja importante nos dias atuais. Por isto, não se baseiam nesta ordenança bíblica dos tempos antigos. Obviamente que se eles tivessem algum tipo de preconceito contra pessoas que fazem suas barbas, não hesitariam em usar esta passagem para justificar suas idéias.

Também o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos será imundo. (Levítico 11:7)

Como você pode ver, o livro de Levítico também proíbe comer carne de porco. Mas claro que os religiosos não se valem destes versos para proibir o consumo de carne de porco. Infelizmente, eles abusam dos textos bíblicos para condenarem gays e lésbicas. Isto prova que não são seus cuidados religiosos que estão em jogo, mas sim seus preconceitos pessoais.

Guardarás os meus estatutos; não permitirás que se ajuntem misturadamente os teus animais de diferentes espécies; no teu campo não semearás sementes diversas, e não vestirás roupa de diversos estofos misturados. (Levítico 19:19)

Fazendeiros geralmente cultivam mais de um tipo de semente em seus campos. De fato, eles o fazem por obvias razões ecológicas. Religiosos não aplicam este verso literalmente.
Religiosos também se recusam a ensinar suas congregações que usar roupas com dois tipos de tecidos misturados é errado. Chega a ser hilário, já que a maioria usa durante suas pregações camisas com uma mistura de algodão e poliéster. Eles acreditam na Bíblia, mas não tomam este versículo em consideração para suas vidas, nem de suas igrejas.

 Uma ABOMINAÇÃO?

Os religiosos gostam de usar Levitico 18:22  para justificar o preconceito contra os gays. Este verso diz: Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é. Talvez você já tenha ouvido que os gays são uma “abominação”. Mas você sabia que a Bíblia também chama outras coisas de abominação?

  • A Bíblia diz que comer camarão e lagosta é uma abominação

Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação
Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver.
Todo o que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação.
(Levítico 11:10-12)

  • A Bíblia diz que comer certas aves é uma abominação

Das aves, estas abominareis; não se comerão, serão abominação: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango, (Levítico 11:13)

  • A Bíblia diz que comer insetos é uma abominação:

Todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, será para vós uma abominação. (Levítico 11:20)
Tudo o que anda sobre o ventre, e tudo o que anda sobre quatro pés, ou que tem muitos pés, entre todo o réptil que se arrasta sobre a terra, não comereis, porquanto são uma abominação. (Levítico 11:42)

  • A Bíblia diz que a usura (empréstimo a juros) é uma abominação

Não lhe darás teu dinheiro com usura, nem darás do teu alimento por interesse (juro). (Levítico 25:37)
E emprestar com usura, e receber demais, porventura viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez, certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele. (Ezequiel 18:13)

Conclusão: Os religiosos se baseiam em seus próprios preconceitos ao manipularem a Bíblia, selecionando versos que apóiam suas idéias e ignorando outros que para eles não fazem sentido. Ou você já ouviu algum religioso pregar contra o consumo de camarão, lagosta, vestir uma camisa 70% algodão 30% poliéster, semear dois tipos de sementes em um mesmo campo, fazer empréstimos bancários ou trabalhar para uma instituição financeira, a qual empresta a juros (usura)? Pois é, nem eu nunca ouvi.

A Abominação da Desolação



Frequentemente pregadores da CCB que não conseguem contextualizar a Bíblia, afirmam que a "Abominação da Desolação no lugar Santo" refere-se a presença de homossexuais na Igreja.

Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda; (Mateus 24:15)

Esta passagem JAMAIS significou a presença de homossexuais na CCB. A interpretação correta destas palavras (ditas por Jesus) refere-se a destruição de Jerusalém e seu Templo pelo Exército Romano.  Jerusalém sempre foi considerada a Cidade Santa (Lugar Santo). Desolação significa "ruína, destruição". Portanto, este verso significa que Jerusalém seria invadida e destruída, como de fato aconteceu em 70 CE. Isto se torna mais claro ao lermos a mesma referência no Evangelho segundo Lucas 21:20-22:

Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.
Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela.
Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

Esta referência nada tem a ver com homossexualidade, a não ser para aqueles que possuem pré-conceitos tão fortemente enraizados em suas mentes que são incapazes de fazer uma simples contextualização bíblica.
Na realidade, como na Congregação existe a crença de que não é necessário estudar a Bíblia em seu contexto histórico (e em nenhum outro contexto), pregadores muitas das vezes não conseguem compreender o sentido legítimo de uma passagem bíblica, dando a ela uma particular interpretação, conhecida também como "interpretação espiritual". Acontece que estas supostas revelações espirituais em muitos casos entram em choque com pregações realizadas por outros anciães e cooperadores que, obviamente, não tiveram o mesmo entendimento e dão explicações distintas a um mesmo assunto. Se os pregadores são leigos, mais ainda a irmandade. Esta acaba por aceitar qualquer exortação proferida dos púlpitos da CCB como verídica e infalível sem nada conferir, mas o próprio Apóstolo Paulo disse que as profecias (pregações) devem ser julgadas pela igreja (I Coríntios 14:29).

Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao SENHOR, tanto um como outro.  (Provérbios 20:10)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A farsa do movimento "Ex-gay"


Sergio Viula, um dos criadores do grupo que defende a “cura” da homossexualidade, se assume como gay e diz que tratamento é uma farsa.
O carioca Sergio Viula, de 35 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Chegou a ser pastor da Igreja Batista, casou-se e teve dois filhos. Há um ano e meio, porém, assumiu ser gay, deixou a igreja e rompeu o casamento. Viula, atualmente professor de Inglês e estudante de Filosofia na Uerj, conhece como poucos os métodos dos grupos de ”reorientação” sexual. Sabe que não funcionam e critica o projeto de lei do deputado estadual Édino Fonseca (PSC) que prevê o custeio de tratamento psicológico para pessoas interessadas em ”virar heterossexuais”. O texto, condenado por psicólogos e psiquiatras, já passou por três comissões na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e pode ser aprovado até o fim do mês.

ÉPOCA – Como surgiu o Movimento pela Sexualidade Sadia, que atua em várias denominações evangélicas?

Sergio Viula – O objetivo era a evangelização de homossexuais, que nada mais é do que fazer proselitismo religioso. Pretendíamos mostrar que a homossexualidade não é natural e deveria ser abandonada pelos que quisessem agradar a Deus. O Moses também queria dar uma resposta aos grupos gays, que tinham espaço na mídia.

ÉPOCA – Como o grupo pretende reverter a homossexualidade?

Viula – Vendem uma solução, enchendo as pessoas de culpa. No tempo em que eu estava lá, ouvia relatos de sofrimento e tentava arrumar razões para a homossexualidade, sempre ligadas à desestruturação familiar ou a traumas. Era um absurdo. O discurso do Moses é homofóbico e cruel: ”Jesus te ama, nós também, mas você precisa deixar de ser gay”. O homossexual continua sentindo desejo, mas com um pé no prazer e o outro na dor, com sentimento de culpa, medo, auto-rejeição. Criávamos uma paranóia na cabeça deles.


ÉPOCA -Quando você percebeu que o ”tratamento” era uma farsa?

Viula – A gota d’água foi quando um rapaz soropositivo, que chegou a ser da diretoria do Moses, morreu. Ele havia se envolvido sexualmente com dois integrantes do grupo. Um deles estava tão apaixonado que chorou mais que a viúva no enterro. Comecei a pensar que o grupo não funcionava nem para os que estavam dentro dele.

ÉPOCA – Nem para você?

Viula – Sou o melhor exemplo de que não existe ”cura” da homossexualidade. Sabia que era gay desde os 16 anos. As pessoas que dizem que mudaram, na verdade, continuam sentindo desejo. Um padre que é celibatário e heterossexual não deixa de ser heterossexual porque é celibatário. Um homossexual que não transa porque quer ä renunciar a isso pela fé é gay. Só não está em atividade.

ÉPOCA – O que acontecia nos bastidores do movimento?

Viula – Uma vez criaram uma célula de homossexuais que se reunia na Tijuca para fazer uma espécie de terapia em grupo. Em vez de virarem heterossexuais, começou a rolar paquera. Tinha gente que saía da reunião para namorar. Dentro do próprio apartamento que sediava os encontros aconteceram experiências sexuais. A célula acabou cancelada. Outra situação absurda ocorreu em um congresso da Exodus – grupo cristão internacional que combate a homossexualidade – em Viçosa. Os caras paqueravam e ficavam juntos durante o evento. A mensagem da militância gay, que se reuniu na porta, era: ”Nos deixem em paz”. Lá dentro, dizíamos que Deus transforma. Mas quem estava no evento fazia o mesmo que o pessoal de fora (risos). Era uma incoerência total.

ÉPOCA -Sua saída do Moses coincidiu com sua ‘’saída do armário”?

Viula – Sim. Há três anos abri o jogo com as lideranças da Igreja Batista e do Moses e me separei de minha mulher. Depois de um mês isolado, voltei para o casamento e para o Moses. Tinha chegado à conclusão de que era gay, mas não tinha resolvido a questão de fé em minha cabeça. Dois anos depois, me desliguei de vez.

ÉPOCA – Como sua família reagiu?

Viula – A relação com minha ex-mulher é amigável, mas com meus pais está extremamente abalada. São evangélicos e negaram a vida inteira que tinham um filho gay. Não suportaram ouvir de mim o que sempre quiseram esconder. Não nos falamos mais. Tenho um filho de 9 anos e uma menina de 12. Contei a verdade a ela e expliquei por que não podia continuar casado. Ela diz que me ama e não tem vergonha do pai.

ÉPOCA -A mensagem evangélica alimenta a homofobia?

Viula – A maioria dos evangélicos discrimina. O deputado Édino Fonseca é notadamente desequilibrado. Disse na Assembléia de Deus que os gays desejam fazer clonagem para criar um exército e dominar a sociedade. Há muitas pessoas desinformadas nos templos e, para elas, o gay é inimigo em potencial. O Moses deveria orientar as famílias assim: ”Seu filho é gay, mas pode ser saudável, bonito, inteligente e bem-sucedido, como qualquer heterossexual”. Isso nunca foi feito.

ÉPOCA -Você atualmente freqüenta alguma igreja?

Viula – Não. Mas isso não está só relacionado a minha homossexualidade. Conheço muitos gays que são religiosos. Abandonei a igreja por pensar que o Deus cristão é um mito. Mas acho importante militar por uma abertura na igreja. Como grupo social, ela tem de ter uma representatividade gay para não ser discriminatória. Não sou ativista, mas incentivo os movimentos gays, sobretudo o de Luiz Mott (Grupo Gay da Bahia), que foi massacrado por nós, do Moses. Neste ano, fui à ParadaGay do Rio pela primeira vez como homossexual assumido. Antes ia como evangelista. Foi uma experiência maravilhosa. Nunca estive tão em paz.
Fonte: http://www.icmsp.org/novoportal/index.php/news/106--a-farsa-dos-grupos-de-terapia-para-gays.html

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Perguntas não são mais bem vindas nas Reuniões da Mocidade

Congregação Cristã no Brasil
Resumo de Ensinamentos
76 Assembléia
2011

Sede da Congregação Cristã no Brasil, no bairro do Brás - SP

Todos os anos, o ministério da Congregação Cristã se reúne na sede Administrativa da cidade de São Paulo e sede mundial dos ensinamentos da denominação, no bairro do Brás.
A reunião acontece invariavelmente no período que compreende a Semana Santa do calendário Católico Romano, mais especificamente nos três dias que coincidem com a morte e ressurreição de Jesus, segundo o mesmo calendário.
Estas reuniões resultam em tópicos doutrinários que servem de base para todas as igrejas da mesma denominação no país e no exterior. Na maioria das vezes, os tópicos listados a cada ano são repetições de assuntos abordados em anos anteriores, que abrangem desde “quando o fiel deve dizer amém no culto”, “vestimentas e apetrechos inconvenientes para as mulheres”, “unção de enfermos”, “batismos”, entre outras coisas. São também considerados novos obreiros (anciães e diáconos) para o ministério da igreja, obreiros estes que não são remunerados.

Assuntos de cunho administrativo que fogem ao teor religioso também são considerados nestas reuniões, bem como temas envolvendo a “Obra da Piedade”, uma espécie de ONG dentro da denominação que visa dar assistência às pessoas necessitadas.

Este ano, um dos tópicos abordado e deliberado pelo ministério me chamou bastante a atenção. É prática de alguns anciães nas Reuniões para a Mocidade da CCB permitirem que os jovens façam perguntas (geralmente através de papéis escritos a próprio punho durante o culto) concernentes à doutrina da igreja, dúvidas sobre a permissão ou não de certas práticas do mundo atual como “ficar”, o uso da Internet, uso de calças pelas mulheres etc. Outros jovens se manifestam com questões sobre textos bíblicos. O ancião, então, responde a estas perguntas de acordo com seu entendimento, tentando enquadrar as respostas o mais próximo possível da sua visão de certo ou errado de acordo com a Bíblia ou das convenções estabelecidas pela CCB. Veja agora o que foi decidido na 76 Assembléia de Ensinamentos da CCB, este ano:

19 – Reuniões para a Mocidade – Perguntas
  • O ancião que preside não deve abrir a liberdade para se fazerem perguntas na reunião da mocidade. Deve-se exortar a irmandade a ler a Bíblia para conhecer melhor a Palavra de Deus.


Esta decisão é simplesmente chocante. Se o objetivo das Reuniões para a Mocidade é, de fato, fazer com que os jovens entendam melhor assuntos voltados especificamente para os mesmos, por que estes jovens não podem tirar suas dúvidas com os anciães (que teoricamente teriam maior conhecimento bíblico)? Será mesmo que ler a Bíblia é a única saída para obtenção de TODAS as respostas que estes jovens que freqüentam estas reuniões, pré-adolescentes de 12 anos em diante, possuem? Como um jovem que contém pouco conhecimento pode interpretar uma passagem bíblica polêmica como aquela em que Jesus diz: “E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, Marcos 9:43 “ ou a conclusão Paulina sobre o casamento que diz “Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher. 1 Coríntios 7:27 “, ou ainda sobre o que se deve fazer com os filhos que desobedecem a seus pais segundo o livro de Levítico “Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele.”?

O meu parecer é que os anciães querem evitar a manifestação de pessoas com questões polêmicas que possam tirar o ministério e a igreja da sua zona de conforto, como questões envolvendo a homossexualidade, o uso de pílulas anticoncepcionais, uniões matrimoniais com pessoas pertencentes a outras denominações evangélicas (chamados pela CCB de “estranhos à fé”) etc. A verdade é que o ministério da CCB não está preparado para responder as dúvidas dos jovens. Na maioria das vezes, cada ancião dá sua opinião pessoal ao ser questionado certo assunto, opinião essa que pode variar drasticamente com a de outro conservo do mesmo ofício ministerial.

Ironicamente, nesta mesma Assembléia de Ensinamentos, a apenas dois tópicos acima, foi feita a seguinte deliberação, pelas mesmas pessoas que proibiram os jovens de se manifestarem:

17 – Dúvidas e Esclarecimentos

Quando algum irmão do ministério tiver alguma dúvida ou precisar de algum esclarecimento, deve dirigir-se ao ancião mais antigo ou do Estado para depois, se necessário, dirigir-se aos anciães mais antigos que se reúnem em São Paulo.

Não é isto uma grande contradição? Por um lado, jovens cheios de questionamentos, medos e receios não podem manifestar suas preocupações, dirigindo-as a alguém que deveria estar apto a sanar seus anseios. A resposta a estes é curta e grossa: Leia a Bíblia. Ponto final. Por outro lado, anciães sim podem ter questionamentos, e buscar respostas com outros que, teoricamente, estão dotados de maior conhecimento e talvez virtude para esclarecer suas indecisões. Fica aqui então a seguinte impressão: os anciães da CCB não conseguem ter uma opinião uniforme sobre a maioria das questões polêmicas que preocupam os jovens da atualidade e, para evitar maiores problemas, decidiu-se calar a mocidade (ou seria calar os anciães?).