segunda-feira, 15 de junho de 2015

Porque sonhar é permitido...e praticar não é proibido

Porque amar é melhor do que mentir

E beijar é melhor do que fingir

E é melhor amar a resistir

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Irmão gay é levantado para cooperador de jovens



Recentemente um certo irmão da minha região, cujo nome prefiro omitir, foi levantado para o ministério de cooperador de jovens. Este mesmo irmão foi auxiliar de jovens na minha primeira comum congregação. Músico e de família tradicional na CCB, lembro-me dele pregando a palavra na RJM por diversas vezes no final dos anos 90. Na época eu era um pré-adolescente. Ele era uns 4 ou 5 anos mais velho que eu. Nunca fomos amigos, nem inimigos. Ele pertencia a um grupinho  "seleto" de irmãos mais populares, enquanto que e estava dando meus primeiros passos dentro daquela igreja.

Os anos se passaram e este irmão se casou com uma daquelas irmãzinhas também populares, organista, da mesma comúm. A esta altura eu já havia mudado de comum, e acabei não tendo tanto contato mais com aquele rapaz.

Mais alguns anos se passaram. Estamos agora no ano de 2012. Estava eu no meu trajeto de volta do trabalho aguardando o metrô chegar e, de repente, avisto aquele mesmo rapaz que pregava nos cultos da RJM, lá no final dos anos 90 na minha ex comum. A esta altura eu já havia me assumido como gay e já não ia mais à igreja com a mesma frequência. Ao avistá-lo, continuei mexendo no meu celular, sem dar nenhum sinal de que eu o conhecia. Logo chegou o trem e embarcamos em portas diferentes, porém no mesmo vagão. Continuei ouvindo minhas músicas, como de costume. Algumas estações mais a frente, surpreendentemente, aquele homem se aproximou de mim e disse que me conhecia de algum lugar, mas não sabia de onde....Logo tratei de refrescar sua memória, dizendo que nós fizemos comum na mesma congregação por algum tempo, quando eu ainda era quase uma criança. Na verdade, não acreditei na versão de que ele não se lembrava de onde me conhecia, mas estou convencido de que ele queria apenas puxar assunto de alguma forma por saber da minha saída do armário pelo que irei relatar a seguir.

Logo percebi naquele rapaz um interesse particular por saber da minha vida, dos porquês de eu não estar mais na CCB. Então, sem nenhum rodeio, contei a ele que eu havia me assumido homossexual, e que por isto havia deixado de congregar como antes, pois sabia que a igreja não via com bons olhos pessoas que se assumem.  Era tudo o que ele precisava ouvir para entrar de vez neste assunto. De cara ele me disse: "fora os muitos enrustidos que estão lá na igreja". A conversa se desenrolou por esta linha até que nossa estação de desembarque chegou. Quando descemos, e indo pelo mesmo caminho, ele me confessou que sentia-se atraído por homens e que inclusive já havia tido algumas experiências homossexuais, antes e depois de casado. A esta altura da conversa ele olhava para mim de uma forma diferente, como quem estivesse me desejando e, por fim, me convidou para ir a sua casa. Disse que sua esposa não estaria lá e que por isso teriamos a casa somente para nós. Fiquei um pouco assustado com tamanha ousadia, e de pronto lhe disse que eu não iria, mas que poderíamos conversar sobre sua situação. Entramos em uma padaria, pedimos algo para tomar e ele me confessou que seu casamento estava uma desgraça, que por diversas vezes pensou em se divorciar, mas que não tinha coragem de se assumir, muito menos agora com um filho. Sua família não aceitaria sua condição sexual. Eu o aconselhei a ser ele mesmo, e deixar de enganar aquela moça, pois quanto mais o tempo passa mais difícil fica sair de uma mentira. Conversamos por um bom tempo naquele recinto e logo nos despedimos. 

Qual não foi minha surpresa há poucos meses, ao chegar em casa meu pai disse que o irmão fulano havia sido levantado para o ministério de cooperador de jovens. Sinceramente cheguei a pensar que fosse um outro irmão de mesmo nome, mas para minha surpresa tratava-se da mesma pessoa, o mesmo irmão que me assediou e que revelou ter traído a esposa com outro homem, foi posto à frente de uma igreja para ensinar os jovens sobre regras e bons costumes cristãos. Fico me perguntando: Meu Deus, quantas outras coisas ocultas não devem haver por aí?!


domingo, 13 de julho de 2014

O que estes três homens têm em comum?


Garath Thomas, ex jogador profissional de hugby galês. Ian Thorpe, australiano, campeão olímpico e ex recordista mundial de natação. Thomas Hitzelperger, alemão, ex jogador de futebol. Além de atletas de sucesso, o que mais estes três homens teriam em comum? Todos eles revelaram ser homossexuais após seus 30 anos de idade, e tentativas frustradas de relacionamentos heterossexuais. 

Para muitos homens, assumir a homossexualidade é uma tarefa extremamente difícil e dolorosa, sobretudo quando estão inseridos em sociedades e profissões predominantemente hétero-machistas, tais como no mundo do hugby e do futebol. Poucos tem a coragem de sair do armário e quebrar o estigma da presença de gays no mundo dos esportes. 

Gareth Thomas e sua ex esposa

Thomas Hitzlsperger e sua ex companheira de 8 anos
Muitas pessoas preferem dizer que "o mundo está perdido" ou que "estamos no final dos tempos", pois talvez nunca na história houve tantas pessoas corajosas assumindo que são gays. De fato, é mais fácil esconder-se atrás de uma vida hétero de fachada para ser aceito pelo grupo, mas o custo disto geralmente é muito alto. Ian, Thomas e Gareth que o digam. Todos passaram por períodos de depressão por estarem vivendo uma vida que não era propriamente deles, mas sim uma vida que a sociedade e o mundo profissional no qual eles estavam imersos esperavam deles como "homens de sucesso". 

Michael Sam



Michael Sam, 24 anos, jogador profissional de futebol americano revelou sua homossexualidade recentemente, gerando várias manifestações na mídia local e internacional. Em um relacionamento sério com Vito Cammissano, Michael Sam se sente totalmente confortável após ter assumido publicamente ser gay."Eu estou saindo do armário porque eu quero viver a minha verdade. Estou totalmente confortável com quem eu sou. Eu não queria ninguém inventando histórias sobre mim. Eu prefiro contar a minha história do jeito que eu quero."


sexta-feira, 4 de julho de 2014

As consequências de ser um enrustido

Este vídeo foi feito por um dos leitores do meu blog. São de tamanha clareza e lucidez suas palavras. Espero que este vídeo sirva de aprendizado e reflexão tanto para gays enrustidos, gays que estão pensando em se assumir, gays assumidos e heterossexuais de mente aberta.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

É hora de sair do armário

Tradicionalmente, no final de cada ano, as pessoas têm por costume colocar metas para suas vidas no ano que seguirá: emagrecer, buscar um novo trabalho, encontrar um novo amor, começar aquele curso de idiomas, entrar na faculdade etc. De fato, mudanças e novos projetos não são fáceis de serem implementados, mas, mais cedo ou mais tarde, será necessário sair da zona de conforto para dar início a algo novo.

Muitos crentes me escrevem perguntando quando seria a melhor hora para alguém sair do armário. Eu me pergunto se há, de fato, uma “hora certa” para sermos quem nós realmente somos. Uma coisa é fato: quanto mais tempo mentimos para nós e para as pessoas que nos cercam, mais difícil, complicado e constrangedor será para anunciar nossa verdadeira preferência sexual. No entanto, nunca é tarde demais. Já faz três anos que eu me assumi para meus familiares e amigos, aos vinte e cinco anos de idade. Muitas pessoas ficaram chocadas não pelo fato de eu ser gay, mas por eu ter de certa forma escondido por tantos anos, sob uma aparência heterossexual, que minha vontade e desejo estavam para as pessoas do mesmo sexo que eu. Na Congregação tive algumas namoradas, pois eu queria estar dentro das normas sociais na qual eu fui criado, mesmo sabendo que eu não sentia atração sexual por mulheres. Quando muitos dos meus parentes ficaram sabendo, alguns não acreditaram de cara, outros tiveram crise de choro (risos), mas no final das contas tive muita sorte, pois tive a aceitação, amparo e apoio da minha família. Alguns ditos amigos (sobretudo os crentes) tiveram atitudes que me deixaram muito triste na época, mas a imensa maioria não mudou a relação que sempre tivemos. Se você estiver psicologicamente preparado para contar a sua família e amigos sua inclinação sexual não deixe que isto tome anos da sua vida, pois um dia eles terão de saber de qualquer forma, isto é, se você deseja ter uma vida sem máscaras, ter um relacionamento com alguém que você ame e por quem sinta atração, e quem possivelmente frequentará seu círculo social. No primeiro momento pode haver um desconforto com notícia, pois é algo pelo que eles talvez não esperassem ouvir de você, sobretudo os pais, mas com o tempo a poeira acaba baixando e você terá o “feeling” para levar a situação adiante. Algumas famílias são muito abertas, aceitando o namorado / a namorada no convívio sócio familiar, outras até aceitam, mas preferem que não toquem no assunto (tratam o namorado / a namorada) como se fossem apenas um amigo qualquer. Alguns pais podem ter reações mais duras, ficando sem falar com o filho por algum tempo, rogam pragas (infelizmente há alguns crentes que fazem isto com seus filhos, mas entenda que eles agem assim porque eles acham que você está possuído por “demônios” e não querem que você vá para o “inferno”, de certa forma é também uma forma de mostrar preocupação e amor, por mais contraditório que pareça. Outros simplesmente não têm uma instrução sobre o que é a homossexualidade, possuindo apenas alguns “pré-conceitos”) etc. 

Pergunte a você mesmo: Até quando eu vou conseguir mentir? Quanto tempo mais da minha vida vou desperdiçar ocultando algo que é tão próprio do meu ser quanto a cor da minha pele? Quanto tempo mais eu conseguirei esconder dos outros minha preferência sexual? Vale a pena viver uma mentira, em relacionamentos héteros, para cumprir com as normas sociais? 

Faça um propósito com você mesmo e sua consciência para o ano que está por vir, e viva sua vida como ela deve ser vivida.

domingo, 25 de agosto de 2013

Se Deus é por nós, quem será contra nós?!


 
Nas últimas semanas tenho recebido no meu blog comentários homoCCBreligiosos, geralmente com erros de português gritantes, dizendo coisas do tipo “Deus criou o homem e a mulher e não dois homens”, “o homossexualismo jamais será aceito, independe da minha vontade” ,“gays nunca serão bem vindos na CCB” ou que “gays estão tomados por espíritos demoníacos”.
Àqueles que se dão ao trabalho de postar comentários no meu blog com o objetivo de fazer-me mudar de opinião, saibam que estão perdendo tempo. Não adianta citar textos bíblicos, nem querer dar lição de moral bíblica. Fui frequentador da Reunião de Jovens e Menores por mais de 11 anos, e perdi a conta de quantas reuniões da mocidade frequentei. Este blog não é para pessoas que já têm seus conceitos formados pela visão CCBista de entender as coisas e que não estão dispostas a mudar, mas sim a pessoas que, por instrução, educação e conhecimento científico e/ou vivência pessoal sabem que a homossexualidade não é nenhuma opção, mas sim uma condição humana, tanto quanto a cor de pelo à qual um indivíduo possui.
Portanto, se você é da CCB, da Assembleia de Deus, católico, ou de qualquer outra denominação, e se sentir “tentado” a deixar quaisquer comentários homoreligiosos no meu blog, não perca seu tempo, pois os mesmos não serão publicados. Busque um blog onde a homofobia possa ser manifesta, e onde pessoas com sua linha de pensamento e raciocínio irão aplaudi-lo pela ignorância da sua forma arcaica de pensar.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Qual a sua Condição Sexual?


Por Jonatas Silva Macedo
Certa ocasião, fui questionado sobre qual seria minha opção sexual. Respondi: "Nenhuma".

Questionado sobre minha orientação sexual, respondi: "Hétero".

Isso porque "opção" é algo pelo qual se opina e eu não optei por ser como sou. E "orientação" é aquilo pelo qual fomos orientados ser, e eu como todos fui orientado a ser hétero.

Quando se fala em condição sexual se fala da forma que somos. Algo pelo qual não optamos ou fomos orientados a ser, simplesmente nascemos assim.

Ninguém opta por ser hétero, gay, bissexual etc. Você pode optar viver sobre alguma dessas condições, porém, dentro de você os seus desejos pedirão por aquilo que você deseja de verdade.

Quando percebemos que somos diferentes, que nascemos sobre uma condição diferente da maioria, somos orientados por muitos a nos adaptar e a viver como os demais. Mais isso também é inútil. Ninguém é feliz vivendo o que não é. Não se aceitando como é.

Crescemos com a crença de que o certo é ser hétero, qualquer outra condição é errada, contra as leis de Deus, é semvergonhice, opção, um demônio. Qualquer outra coisa, menos uma condição sobre a qual nascemos.

Me vêm em mente algumas perguntas:

"Quem gosta de sofrer preconceito?", "Quem gosta de ser rejeitado?", "Quem gosta de ser apontado como pederasta, promíscuo, endemoniado, semvergonha etc?" Ninguém.

É difícil para um gay, uma lésbica, um bissexual se aceitar, quando se vive em uma sociedade onde estão taxados o "certo" e o "errado".
Quando nos descobrimos diferentes, ficamos assustados, com medo. Procuramos ser iguais, viver como os demais. Mas não conseguimos. Percebemos que não estamos comento crime algum em sermos nós, em sermos como somos. Não há o que mudar, do que se libertar. Nascemos assim.

Podemos camuflar, criar uma vida fictícia moldada aos exemplos da sociedade, mas seremos infelizes, amargurados. Só se é feliz quando se aceita e se vive como é.

Quando me descobri gay, passei por crises de busca de libertação, não aceitação. Era difícil para um adolescente vindo de um família evangélica, filho de pastor, se aceitar como gay.

Com o tempo fui conquistando minha independência, conhecendo pessoas e pessoas, analisando o meu caráter, meus objetivos. Percebi que existem gays na polícia, na Marinha, no Exército, na Aeronáutica, assim como existem héteros. Existem gays médicos, advogados, professores, assim como existem héteros. Existem gays na política, gays ladrões, promíscuos que só vivem de sexo e para o sexo, assim como existem héteros.

Ser gay só diferencia a forma do prazer sexual e conjugal que é sentido pelo igual, fora isso somos todos iguais.

Me aceitando como eu era, tinha chegado a hora de minha família e amigos me conhecerem a fundo e me aceitarem também. Precisei antes conquistar minha independência. Cada caso é um caso e para cada ação existe uma reação. Se eu fosse rejeitado, eu precisava ter uma segurança.

Contei para todos do meu convívio. Para os que questionavam o fato de eu ser gay, eu questionava o fato de eles serem héteros. Quem pedia para eu tentar ser hétero eu pedia para tentar ser gay, se eles conseguissem ser gays, eu também conseguiria ser hétero.

Dizia isso para fazê-los entender que ninguém vive sob orientação ou opção sexual, vivemos sob a condição sobre a qual nascemos. Gays, héteros, lésbicas, bissexuais...
http://jonatassilvamacedo.blogspot.com

domingo, 28 de abril de 2013

Primeiro culto de 'igreja gay' em São Paulo é animado e dura 2h30

Igreja Cristã Contemporânea de São Paulo, fundada no sábado (27), contou com a presença de casal que celebrou sua união em programa de Pedro Bial
Congregação, conhecida popularmente como a igreja gay, já possui seis unidades no Rio de Janeiro(Foto: Silvana Garzaro)

“Tá com a chave da vitória, hein!”

“Amém!”

As boas-vindas no primeiro culto da Igreja Cristã Contemporânea em São Paulo vieram como elogio ao pingente em formato de chave que uma mulher usava no pescoço. O enfeite também pode representar o símbolo de uma luta que a congregação, nascida no Rio, defende há pelo menos seis anos, quando foi fundada: uma sociedade livre de preconceitos, principalmente contra homossexuais.
Ocorrida no sábado (27), a celebração teve início pontualmente às 19h e foi acabar quase às 22h. Mais de 200 pessoas estiveram presentes na inauguração da primeira unidade paulista da igreja, localizada à Rua Platina, 190, n
o Tatuapé. A maioria dos presentes eram homens do Rio de Janeiro, que vestiam terno e gravata. Lotaram três ônibus especialmente para vir conferir a inauguração. Alguns moradores da capital também marcaram presença – e foram tomados por uma grande emoção ao longo do culto.
Culto da Igreja Cristã Contemporânea de São Paulo recebe mais de 200 pessoas

(Foto: Silvana Garzaro)
 A presença de Deus é algo que nos enche e nos emociona”, disse o empresário Rickardo Lima, de 37 anos, que durante quase toda a cerimônia chorou, com os olhos fechados e os braços abertos. “Eu já os conhecia do Rio. Sem dúvida, vou me tornar um membro da igreja.”
A congregação, conhecida popularmente como a igreja gay, já possui seis unidades no Rio de Janeiro (a primeira foi em Madureira, onde hoje funciona a sede), uma em Belo Horizonte e agora esta em São Paulo. Fundada pelo casal Fabio Inácio de Souza, de 33 anos, e Marcos Gladstone, de 37, ela se difere das demais igrejas evangélicas unicamente pelo fato de ser inclusiva. “Um dos louvores que entoamos diz justamente que ‘você não nasceu para sofrer’”, diz Fabio. “Eu entrei para a igreja achando que Deus não me amava, como muitos que chegam até nós ainda acreditam.” Sendo inclusiva, a Igreja Cristã Contemporânea pretende portanto agregar tanto heteros, quanto homossexuais.
Em nome dos pais, das mães e dos filhos
Tanto Fabio, quanto Marcos foram noivos anteriormente de mulheres por quatro anos. Há quase sete anos casados (conheceram-se pouco tempo depois de a igreja ter sido erguida), adotaram juntos dois filhos – Felipe, de 9 anos, e Davidson, de 10 -, há pouco mais de dois anos. Durante a entrevista concedida aVEJASAOPAULO.COM, os meninos iam e vinham distribuindo abraços e beijos carinhosos nos pais. “Para eles, ter dois pais é algo natural.”
Davidson e Felipe não eram as únicas crianças no primeiro culto paulista. Ana Beatriz, de 4 anos, também estava acompanhando as mães, a manicure Izabel Betiany e a operadora de telemarketing e pastora Lucia Carrilho, responsável pela unidade de Caxias (RJ), da Igreja Contemporânea. Elas possuem a guarda compartilhada da menina junto com a mãe biológica. Ana Beatriz chegou até elas por meio da Amovi (Associação Amor e Vida em Assistência à Criança e ao Idoso), projeto social fundado por Lucia que atende atualmente 40 crianças carentes e 24 idosos.
“A Maria Cristina, mãe da Ana Beatriz, tem outros quatros filhos e não tem condição de criá-la”, explica Lucia. “Cuidamos dela desde os seus 10 meses e ela sempre vai visitar e passar um tempo com a mãe biológica. Ana Beatriz diz sempre que tem três mães.” Segundo a pastora, a menina adora a igreja e fala com naturalidade sobre os “companheiros” dos amigos de suas mães.
Lucia fundou o projeto social depois de conseguir largar as drogas: foi viciada em cocaína durante sete anos, metade do tempo em que está ao lado de sua mulher. “Da condição de ‘cuidada’ passei a cuidar. Hoje tenho 106 membros na igreja onde ministro, em Caxias. Não tenho palavras para dizer quão gratificante é essa experiência”, afirma.
“As promessas do pai vão se cumprir na sua vida”
O culto foi bastante animado: as canções de louvor, cujas letras eram projetadas na parede decorada com um céu azul entre nuvens, foram acompanhadas por uma banda ao vivo (com guitarra, violão, bateria e sopros) e um coro. O som serviu como trilha de uma peça sem diálogos, que rapidamente encenou a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo. Havia também um coro formado por quatro pessoas. Os estilos variaram do pop ao rock, passando até pelo samba.
As pessoas, em sua maioria, pareciam saber as músicas de cor e, por isso, não faziam questão de manter os olhos abertos: dançavam com os braços para cima e a cabeça abaixada, cantando bem alto. No meio disso, um cumprimento desejava ao próximo o melhor, que ainda estava para acontecer: “As promessas do pai vão se cumprir na sua vida” (seria o equivalente à “paz de Cristo” da Igreja Católica, mas com direito a abraços, sorrisos e beijos no rosto). Os que estavam com o seu companheiro ao lado entoavam os hinos abraçados. Duas engajadas mulheres levaram seu próprio pandeiro para ajudar no tom do culto, da plateia mesmo.
No controle de todo este som estava a secretária Aline Peixoto, de 35 anos, casada há 18 anos com a pedagoga Simone Queiroz, de 46, uma das vozes do coro oficial. As duas ficaram conhecidas nacionalmente depois de celebrarem o seu amor no palco do programa Na Moral, de Pedro Bial, em julho do ano passado. “Cerca de 85% das pessoas que vieram falar com a gente depois que aparecemos na TV tiveram uma reação positiva. Foi muito show, quase um desfile de miss”, diverte-se Simone.
Os outros 15%... bem, não fizeram muita diferença. “A pessoa pode até carregar um preconceito dentro dela. Mas é você que tem o poder de sentir esse preconceito ou ignorá-lo”, diz Simone, para em seguida ser complementada por Aline: “Ainda falta amor ao próximo.” Simone tem dois filhos do primeiro casamento – Ana Carolina, de 24 anos, e Rodrigo, de 19 -, mas ainda pensa em adotar mais um com Aline.
Mais para o fim do culto, era chegada a hora do dízimo. Envelopes amarelos (a mesma cor da igreja) foram entregues a todos os presentes, para colocarem ali o valor que julgassem justo. Os membros que estavam sentados perto da reportagem de VEJASAOPAULO.COM devolveram os envelopes vazios. As máquinas de cartão de crédito e débito pouco foram utilizadas também.
Ao encerrar o culto de cerca de duas horas e meia, o pastor Fabio fez sua aposta: “No ano que vem, vamos comemorar o nosso primeiro ano de vida no Credicard Hall.” Em meio a palmas e risos, os fieis respondiam “gloria a Deus, Senhor!”.
FONTE: VejaSP



sábado, 27 de abril de 2013

'Igreja gay' inaugura primeiro templo na cidade de São Paulo

Localizado no Tatuapé, o templo paulistano tem 734 m² - o que lhe confere, segundo a própria administração da igreja, o título de "maior templo gay da América Latina"

São Paulo - Levando o amor de Deus a todos, sem preconceitos. Com esse slogan - que deixa implícita a aceitação plena das orientações sexuais de seus fiéis, para calafrios de adeptos de pastores e padres conservadores de outros credos -, a Igreja Cristã Contemporânea chega a São Paulo hoje. E com um discurso otimista. Depois de sete unidades em funcionamento (seis no Rio e uma em Minas Gerais), a instituição pretende abrir dez templos em São Paulo no período de três anos. "Temos espaço para crescer. Nossos cultos são sempre muito cheios, fica gente para fora", diz o pastor Marcos Gladstone, de 37 anos, fundador e presidente da igreja. Segundo ele, há 1,8 mil adeptos da Igreja Cristão Contemporânea em todo o Brasil.Localizado no Tatuapé, na zona leste, o templo paulistano tem 734 m² - o que lhe confere, segundo a própria administração da igreja, o título de "maior templo gay da América Latina". Há um mês, o grupo realiza os cultos na capital, mas em um local improvisado: um salão de eventos no centro.

História. Gladstone fundou e comanda a igreja ao lado de seu companheiro, o também pastor Fabio Inacio de Souza, de 33 anos - o casal tem dois filhos, frutos de uma adoção conjunta: Davison, de 10 anos, e Felipe, de 9. Ambos já eram religiosos antes de se conhecerem. Advogado, integrante da Comissão de Direito Homoafetivo da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil e teólogo, Gladstone era pastor da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil, que frequentava desde os 14 anos. Souza, por sua vez, era pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Os dois viviam relacionamentos heterossexuais - chegaram a ser noivos. 

"Acredito que as igrejas costumam seguir traduções errôneas e até mesmo tendenciosas dos textos bíblicos. Por isso, condenam o homossexualidade", diz Gladstone. "Então sempre me preocupei com o que sentia. Porque acreditava que era pecado, que era algo abominado por Deus." 

Em 2006, pouco tempo depois de eles se conhecerem e começarem a namorar, nascia a Igreja Cristã Contemporânea, com o discurso da tolerância. "Até hoje, a maioria dos fiéis são homossexuais", comenta Gladstone. "Mas, com o tempo, começamos a ter um público hétero também, principalmente parentes dos gays." 

Consequência. Para o teólogo Wagner Sanchez, professor da PUC, é uma tendência. "Há algum tempo, já existem igrejas evangélicas que focam determinados grupos, como jovens ou surfistas", analisa. "Uma igreja assim é consequência do espaço que os grupos homossexuais vêm ganhando na sociedade brasileira. 
Fonte: Exame

domingo, 17 de março de 2013

Igreja Jesus, Cidade de Refúgio: uma igreja inclusiva



Algumas semanas atrás fui convidado por um amigo da CCB para participar de um culto em uma "igreja inclusiva". Igrejas inclusivas são aquelas onde homossexuais são aceitos como tais, sem o famoso apelo para a mudança de orientação sexual. Fui à igreja Jesus, Cidade de Refúgio, localizada em Santa Cecília, região central de São Paulo. Esta igreja é presidida pelo casal de pastoras lésbicas Lanna Holder e Rosania Rocha. 

Chegando à igreja fui muito bem recebido por uma porteira, quem logo me conduziu até um assento. A igreja estava lotada. Senti um forte espírito de fraternidade ali dentro. Pessoas cantando, orando de olhos fechados, elevando as mãos aos céus ao som de letras de músicas como "Tudo pode passar, Teu amor jamais me deixará. Sempre há de existir, novo amanhã preparado pra mim". Vi muitos casais sentados lado a lado, com muito respeito pelo ambiente onde se encontravam e sem medo de que a qualquer momento algum pregador lhes apontasse o dedo e dissesse que ali eles não seriam bem vindos como gays, algo que aconteceu comigo e meu ex namorado há dois anos na CCB, quando um cooperador que sabia da nossa situação ocupou 40 minutos do tempo da Palavra pregando que casais gays não seriam bem vindos na igreja.

Muitas pessoas que frequentam igrejas inclusivas são gays e lésbicas que foram excluídos de igrejas tradicionais, como Batista, CCB, Assembléia de Deus etc, ou que saíram voluntariamente por não serem aceitas pelo grupo. Outros foram convertidos através de evangelização de rua, em porta de boates, parada gays e outros lugares de grande concentração de homossexuais. Independente do passado que elas tiveram, elas são recebidas e abraçadas como novas criaturas em Cristo, tal como ocorre em outras igrejas.

Para aqueles que acham que igrejas inclusivas são meramente pontos de encontro para gays, saibam que este conceito está completamente equivocado. Ouvi conselhos tais quais aqueles ensinadas nas igrejas tradicionais: santidade, fidelidade, castidade antes do casamento, respeito, amor ao próximo e acima de tudo, amor a Deus. 

Muitos tradicionais acham que estas igrejas são uma afronta a Deus e aos bons princípios. Outros são mais radicais e chagam a dizer que gays são filhos do diabo e que não possuem salvação, pregação que já ouvi da boca do ancião da CCB onde eu fazia comum. Independente do que possam dizer, gays e lésbicas são seres humanos providos de sentimentos, desejos, necessidades físicas e espirituais, e Deus está com Seus ouvidos inclinados para ouvir suas orações, estejam eles nas igrejas tradicionais ou nas igrejas inclusivas.