domingo, 12 de julho de 2015

A confirmação da Palavra para casamento na CCB


Quem é ou já foi da CCB sabe que é doutrina da igreja a pratica da busca da palavra para confirmação de casamento. Nos meus 11 anos frequentando as reuniões para jovens e menores e reuniões para o mocidade presenciei um número enorme de pregações confirmando casamentos. Em outras situações, também ouvi pregações onde supostamente Deus estava desconfirmando a intenção de duas pessoas de se relacionarem maritalmente, para desespero de alguns casais. A pratica da busca da palavra para casamento na CCB é tão forte e enraizada na igreja quanto a do ósculo santo, a oração de joelhos, o uso do véu ou até mesmo o próprio batismo. Além do mais, quanto mais ficar evidente que um casal está se casando porque foi esta a vontade de Deus, através de confirmações, profecias e sinais, mais bem visto ele será pelo resto da irmandade, e mais propensos os homens serão para ocupar cargos no ministério. Não raras vezes ouvimos testemunhos de anciães nas Reuniões da Mocidade dizendo que eles não queriam se casar com as esposas que eles estão hoje, mas que Deus por sua palavra revelou que aquela irmão seria a sua companheira. Muitos fazem questão de enfatizar que não se amavam, e que até mesmo repudiavam, mas que por revelação da Palavra eles chegaram ao casamento, e que atualmente vivem uma vida de muita felicidade. 

Não obstante, a parte podre desta história é sempre abafada. Atualmente um número altíssimo de casais se separam dentro da CCB, em sua maior parte pessoas que se casaram justamente após buscaram a divina revelação da palavra, tendo recebido a confirmação divina de que os tais deveriam contrair matrimônio. Outros receberam confirmações através de profecias de irmãos ou irmãs. Mas o que pode ter dado errado? 

Quando eu tinha cerca de 22 anos, na fase em que eu ainda não me aceitava como homossexual, devido ao sentimento de culpa que a igreja me embutia, eu pedi uma irmã em namoro e a chamei para buscar a Palavra comigo, para saber se era a vontade de Deus que nós nos casássemos. Naquela noite, o ancião da minha então comum congregação pregou a palavra em Rute 2, onde diz Rute vai rabiscar espigas nos campos de Boaz. A pregação toda foi "confirmando" casamento entre duas pessoas que estavam ali. Saímos da igreja com a certeza de que Deus havia respondido com um "sim" a nossa intenção de casamento...apenas duas coisas não se encaixavam nesta história toda: 1- Eu sendo homossexual enrustido, como iria fazer uma mulher realizada na cama? E não apenas isto, como eu me sentiria realizado sexual e afetivamente com uma mulher? Mesmo assim Deus teria confirmado nossa união. 2 - Aquela moça era apaixonada por um outro rapaz, e em outra situação eles já haviam buscado a palavra e recebido a confirmação de casamento, porém ele já estava namorando outra moça e acabou por se casar com esta outra meses mais tarde. Graças a Deus que esta relação não foi para frente, e nós não chegamos nem mesmo a namorar. Será que desobedecemos a Palavra de Deus? Risos.

É por histórias confusas como a relatada acima que muitas moças e moços homossexuais acabam se casando, gerando filhos e posteriormente abandonando seus lares para serem quem realmente eles são. Na minha ex comum houve inclusive uma moça, filha de um casal de porteiros que se casou com um rapaz gay e, tempos mais tarde ele a deixou, revelando sua homossexualidade. Conheço inúmeros outros casos de irmãos gays que se casaram supostamente por revelação da palavra, e que hoje vivem uma vida dupla, outros já se divorciaram, com filhos piorando ainda mais toda essa situação.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Flagrado em app de encontros gays, pastor deixa igreja nos EUA

Isto é muito mais comum do que a maioria dos crentes pode imaginar. Na CCB estes fatos simplesmente são abafados. Recentemente houve uma revelação bombástica sobre um ancião dos mais conceituados de São Paulo que foi descoberto sendo portador do vírus HIV e tendo um relacionamento extraconjugal com um homem por vários anos.

Reverendo Matthew Makela havia condenado comportamento homossexual.

Casado e pais de cinco filhos, ele procurava parceiros no Grindr.




Um reverendo luterano norte-americano acostumado a dar declarações contra homossexuais e transgêneros foi flagrado usando aplicativos de relacionamento voltados para a comunidade LGBT. As conversas de cunho sexual do pastor Matthew Makela no Grindr, que incluíam fotos dele nu, levaram a Escolha e Igreja Luterana St. John, de Michigan, a anunciar nesta segunda-feira (18) que ele havia se desligado.

“É com pesar que eu informo a vocês que o Pastor Makela anunciou sua resignação como pastor da St. John por meio de uma carta”, afirmou o reverendo Daniel Kempin, segundo nota divulgada no site da igreja.

O site “Queerty” publicou bate-papos de Makela, que confirmou ser o autor das mensagens, mas não quis fazer comentários a respeito. Segundo ele, a saída da congregação ocorreu após sua esposa – ele é pai de cinco crianças – e seu supervisor demonstrarem preocupação.

Opiniões sobre gays

O comportamento do pastor e sua vida privada divergiam das opiniões que ele dava em público. Makela condenava gays. Comentando o texto de um pastor publicado em um jornal cristão, fez comparação entre homossexualidade e alcoolismo.

A revelação da identidade sexual de Makela faz parte de um movimento nos EUA de expor homens públicos que se manifestam contrários aos direitos da comunidade LGBT, mas possuem, em sua vida particular, relações homossexuais.

“Eu amo pessoas que tem atração pelo mesmo sexo, assim como Deus. A prova está no sacrifício que Ele fez por todos nós que pecamos. Nós não dizemos a uma pessoa nascida com tendência a abusar do álcool para continuar a alimentando seus desejos inatos porque ele não pode ajudar nisso. Nós tentamos ajudá-lo em sua luta”, escreveu.

Segundo o reverendo Kempin, “os detalhes do pecado que foram mantidos confidenciais estão sendo postados on-line por aqueles que querem atingir a família Makela e a St. John.” A igreja apagou sua página no Facebook.

Exposição
Isso ocorreu com o deputado Randy Boehning, de 52 anos, que, apesar de trabalhar para minar um projeto de lei para proteger gays de discriminação, possuía perfil no Grindr.

FONTE: G1

terça-feira, 30 de junho de 2015

Homens gays relatam drama de viver casamentos de fachada com mulheres

Décadas atrás, quando os gays da Grã-Bretanha e de outros países ocidentais tinham de enfrentar o ostracismo e viviam sob a ameaça de serem processados, muitos optaram por se casar e esconder sua sexualidade.
Mas mesmo agora, com uma aceitação crescente, alguns continuam optando pelo mesmo caminho.
Nick, que está na casa dos 50 anos, é casado com sua esposa há 30 anos. Ele é gay.
Ele acha que sua mulher suspeitava há muitos anos de sua sexualidade, mas conta que tudo veio à tona quando ele teve um relacionamento com outro homem.
"Ela (esposa) perguntou se eu queria deixá-la, mas eu não queria. Acima de tudo, ela é minha melhor amiga. Então decidimos que continuaríamos juntos como melhores amigos", diz.
Nick não é seu nome real – muitos amigos e parentes do casal não sabem que ele é gay e ele prefere se manter anônimo para proteger sua esposa.
Ele conta que, desde o começo, o casamento não era completo, com muitas dúvidas sobre se eles haviam feito a coisa certa. Ele sempre teve dúvidas sobre sua orientação sexual, e isso se agravou com o tempo.

Tolerância

Grupo de apoio
'Não existimos no mundo gay porque somos casados'

Como muitos outros homens nessa situação, Nick se viu vivendo uma vida dupla. Na superfície, ele era um homem em um casamento feliz. Mas ele também tinha o hábito de ver pornografia gay. E conta que há seis anos, acabou se relacionando com um amigo gay quando ambos ficaram bêbados.
Nick conta que sua esposa ficou irritada e desapontada quando ela descobriu, e que, àquela altura, ele não tinha mais como negar que era gay.
"Senti que era a oportunidade ideal para ser honesto e contar para ela sobre algo que ela já suspeitava. Então, concordamos que eu se eu não fizesse mais isso, não tocaríamos no assunto – e quando voltasse a acontecer, iríamos falar sobre isso."
Nick admite que seria melhor para sua esposa se ele tivesse admitido antes que era gay. Ela lhe disse que estava desapontada porque ele não havia confiado nela.
"Eu ainda me sinto totalmente grato a ela todos os dias por ela ser tão tolerante", conta.
O casal optou por permanecer junto não por conta das crianças, já que eles não têm filhos, mas, sim, pelos sentimentos que nutrem um pelo outro.
"Está tudo bem com a minha esposa. Tanto que ainda amamos um ao outro e ainda estamos juntos. Mas as coisas poderiam ter sido bem diferentes."
Apesar de o casal continuar junto, eles agora dormem em quartos separados.
Nick prometeu à mulher que ele não vai mais ter relações sexuais com outros homens – ele diz que deve isso a ela.
Mas será que ele consegue manter sua promessa. "Espero que sim. Essa é minha intenção. Sinto como se não tivesse tido uma opção no passado, como se algo tivesse sido imposto a mim. Agora estou tomando a decisão que me parece acertada, que é manter o celibato."
Nick participa de um grupo de apoio chamado Gay Married Men (Homens gays casados), que tem sede na cidade britânica de Manchester e foi fundado há 10 anos. Vários homens viajam de outras partes do país para participar das reuniões.
O fundador do grupo, que prefere ser chamado apenas de John, conta que os homens são, em sua maioria, mais velhos, sendo que muitos casaram nos anos 70 e 80, quando a sociedade era mais hostil aos gays.
Mas por que então eles se casaram?
Nick conta que muitos dos participantes participam do grupo justamente para tentarem se entender.
Andy, de 56 anos, dá seu depoimento: "Alguns achavam que estavam apenas passando por uma fase e que logo encontraria uma mulher que o transformaria em uma homem de verdade, como muita gente dizia."
John, um professor de Manchester que foi casado por sete anos, diz que ele demorou para perceber que era gay. Ele sabia que sua sexualidade era ambígua, mas ele não tinha nem vocabulário para defini-la.
"Eu não sabia como era um homem gay. Na verdade, eu sabia que os gays era afeminados. E eu não me sentia assim. Logo, eu não poderia ser gay, não é?"
Os membros do grupo estão em diferentes estágios. Alguns apenas suspeitam que sejam gays, enquanto outros vivem ou viveram com suas esposas, sendo que algumas delas já se casaram com outros homens.
John agora é casado com um homem que é seu parceiro há 23 anos. Andy está se divorciando de sua mulher após 30 anos de casamento e quatro filhos.
"Eu ainda a amo. Nós somos muitos próximos. Somos melhores amigos – o que pode soar estranho para alguns, mas temos quatro filhos juntos…"
Mas muitos outros continuam casados seja por conta da expectativa de amigos e parentes ou porque eles têm filhos e não querem que a família se separe.
Jonh diz que muitos homens se veem desesperados e sem nenhum apoio – muitos sofrem de depressão severa.
"Já vimos muitos caírem no choro porque eles estavam decepcionados e agora estão aliviados por terem descoberto que há outros homens na mesma situação. Porque isso é parte do problema, nós somos um mito, não existimos", conta John.
"Não existimos no mundo gay. Estamos no limite do mundo gay porque somos casados. E não existimos também no mundo hétero. Então, somos invisíveis."
Os membros do grupo dizem que não julgam pessoas como Nick e que a mensagem principal é a de que esses homens não precisam passar por isso sozinhos.
"Há pessoas que estão conseguindo lidar com sua sexualidade e sua família. Eles ainda se relacionam com os filhos, não foram cortados do relacionamento familiar", conta Nick.
"Eu, definitivamente, estou mais feliz agora – ser honesto com a minha mulher me tirou um peso das costas."
Fonte: BBC

terça-feira, 23 de junho de 2015

Ao Ministério da Congregação Cristã no Brasil

Uma Carta ao Ministério da Congregação Cristã no Brasil

Queridos irmãos Anciães, Cooperadores, Cooperados de Jovens e Diáconos, a Santa Paz de Deus seja convosco!

Em nome dos milhares de rapazes e moças homossexuais da Congregação Cristã no Brasil, deixo minhas considerações sobre vossas recentes pregações no tocante à homossexualidade, dentro dos inúmeros templos espalhados pelo nosso país.

Todas as vezes que os irmãos abordarem este tema, tenham em mente que garotos muito jovens estão ouvindo vossa pregação. Quer vocês aceitem ou não, a homossexualidade não é um comportamento aprendido, mas sim uma tendência involuntária que abrange cerca de 10% de toda a população mundial, e vossos filhos, netos e bisnetos não serão poupados desta estatística pelo simples fato de vocês proferirem ameaças de condenação eterna em um lago de fogo ardente caso eles sejam gays. Se vocês fossem mais próximos da mocidade, iram notar que desde criança alguns meninos são mais delicados que outros, apresentam gostos e preferencias que divergem da maioria do grupo, e muito certamente estes meninos se tornarão adultos gays. Isto é explicado pela psicologia e pela pedagogia, e não se trata de influência externa. Portanto, abandonem o preconceito de que as pessoas se tornam gays por influência externa, quando esta é, de fato uma característica inata de muitos seres humanos.

Muitos dos irmãos sabem que a Congregação está repleta de rapazes gays, mas não querem que estes moços entendam sua própria sexualidade, obrigando-os através de terror psicológico, isto é, ameaça de condenação eterna, a se camuflarem no meio da multidão, fingindo serem héteros seletivos que não querem se casar para ter uma melhor condição financeira. Vemos moços beirando os 30 anos sem nenhum interesse por mulher e os irmãos querem mesmo que o povo acredite que eles estão esperando em Deus? Sejamos realistas e encaremos os fatos, estes rapazes são gays e é melhor mesmo que eles não se casem com nenhuma irmãzinha, a menos que ela esteja ciente de que irão contrair matrimônio com alguém que gosta da mesma coisa que ela, mas que para manter as aparências prefere se casar para evitar cobranças sociais.

Parem também de usar Romanos I para oprimir os milhares de crentes homossexuais através de vossas pregações. Leiam e releiam mil vezes este capítulo antes de qualquer pregação. Entendam qual era a ideia de Paulo sobre a homossexualidade: pessoas que não se interessavam por Deus e nem queriam saber dele foram entregues à paixões da carne. É este o caso dos gays aos quais vocês estão pregando? Acredito que não, e vocês também sabem que não, pois são auxiliares, músicos, meninos que vocês viram crescer desde os primeiros passos na RJM recitando salmos e que sempre adoraram ao Deus de Israel, buscando sempre seus conselhos. Além do mais, para Paulo estes supostos gays eram iníquos, malignos, homicidas, aborrecedores de pai e mãe. Qual é a relação deste capítulo com a mocidade homossexual à qual vocês estão pregando? NENHUMA, portanto adequem vossas pregações e sejam coerentes. Citar Levítico para suportar vosso preconceito contra gays?  Nem pensar, a menos que vocês também sejam a favor de outras leis leviticas como abster -se de frutos do mar, não usar roupas de dois tecidos diferentes, apedrejar até a morte filhos desobedientes, e tantas outras coisas sem sentido para a nossa sociedade moderna. Também não vale argumentar que Deus criou macho e fêmea, e mandou-os encher a terra. Quando isto aconteceu a terra só tinha Adão e Eva, hoje somos mais de 7 bilhões e até 2050 seremos quase 10 bilhões. A terra já parece estar bastante cheia não parece? E mesmo assim, quando "macho e fêmea" cristãos se casam hoje em dia evitam filhos através de métodos contraceptivos, aparentemente ferindo o mandamento bíblico de reprodução? Por que isto é tolerado e o cristão homossexual é condenado? 

Pensem que a cada vez que vocês falam contra a homossexualidade vocês estão ferindo na alma uma boa parcela da mocidade que vive um conflito de FÉ x SEXUALIDADE, conflito este causado pela própria Igreja, levando centenas de jovens gays à depressão e muitos até mesmo ao suicídio. 

Lembrem-se de que a missão de Cristo na terra era a de Salvar, e não a de condenar. Aliás, Jesus condenou apenas o sistema religioso de sua época, o judaismo, o qual se atinha a ritos, dogmas e formalidades. Jesus foi um revolucionário da sua própria fé, questionando a condenação daqueles que quebravam o sábado e desafiando o excesso de zelo dos escribas e fariseus. Antes de proferir qualquer palavra contra os homossexuais em vossa próxima pregação pensem duas vezes e reflitam: Será que Jesus falaria isto?

E para finalizar, é bom lembrar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade do nosso tempo, portanto mesmo que a igreja não aceite este tipo de união é dever de todos respeitar as decisões que cada indivíduo toma sobre sua vida. Assim como cada um pode escolher qual religião praticar, também pode escolher com quem se unir e se casar, e esta decisão deve ser respeitada. Também não se esqueçam que nossa constituição garante o direito à integridade moral do ser humano, então nada de chamar casais homossexuais de aberrações, filhos do demônio nem nada do gênero. Lembrem-se de como Jesus tratava os que iam após si. 

Deus vos abençoe e vos revista de sabedoria para pregar.

Vosso irmão em Cristo.




segunda-feira, 15 de junho de 2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Irmão gay é levantado para cooperador de jovens



Recentemente um certo irmão da minha região, cujo nome prefiro omitir, foi levantado para o ministério de cooperador de jovens. Este mesmo irmão foi auxiliar de jovens na minha primeira comum congregação. Músico e de família tradicional na CCB, lembro-me dele pregando a palavra na RJM por diversas vezes no final dos anos 90. Na época eu era um pré-adolescente. Ele era uns 4 ou 5 anos mais velho que eu. Nunca fomos amigos, nem inimigos. Ele pertencia a um grupinho  "seleto" de irmãos mais populares, enquanto que e estava dando meus primeiros passos dentro daquela igreja.

Os anos se passaram e este irmão se casou com uma daquelas irmãzinhas também populares, organista, da mesma comúm. A esta altura eu já havia mudado de comum, e acabei não tendo tanto contato mais com aquele rapaz.

Mais alguns anos se passaram. Estamos agora no ano de 2012. Estava eu no meu trajeto de volta do trabalho aguardando o metrô chegar e, de repente, avisto aquele mesmo rapaz que pregava nos cultos da RJM, lá no final dos anos 90 na minha ex comum. A esta altura eu já havia me assumido como gay e já não ia mais à igreja com a mesma frequência. Ao avistá-lo, continuei mexendo no meu celular, sem dar nenhum sinal de que eu o conhecia. Logo chegou o trem e embarcamos em portas diferentes, porém no mesmo vagão. Continuei ouvindo minhas músicas, como de costume. Algumas estações mais a frente, surpreendentemente, aquele homem se aproximou de mim e disse que me conhecia de algum lugar, mas não sabia de onde....Logo tratei de refrescar sua memória, dizendo que nós fizemos comum na mesma congregação por algum tempo, quando eu ainda era quase uma criança. Na verdade, não acreditei na versão de que ele não se lembrava de onde me conhecia, mas estou convencido de que ele queria apenas puxar assunto de alguma forma por saber da minha saída do armário pelo que irei relatar a seguir.

Logo percebi naquele rapaz um interesse particular por saber da minha vida, dos porquês de eu não estar mais na CCB. Então, sem nenhum rodeio, contei a ele que eu havia me assumido homossexual, e que por isto havia deixado de congregar como antes, pois sabia que a igreja não via com bons olhos pessoas que se assumem.  Era tudo o que ele precisava ouvir para entrar de vez neste assunto. De cara ele me disse: "fora os muitos enrustidos que estão lá na igreja". A conversa se desenrolou por esta linha até que nossa estação de desembarque chegou. Quando descemos, e indo pelo mesmo caminho, ele me confessou que sentia-se atraído por homens e que inclusive já havia tido algumas experiências homossexuais, antes e depois de casado. A esta altura da conversa ele olhava para mim de uma forma diferente, como quem estivesse me desejando e, por fim, me convidou para ir a sua casa. Disse que sua esposa não estaria lá e que por isso teriamos a casa somente para nós. Fiquei um pouco assustado com tamanha ousadia, e de pronto lhe disse que eu não iria, mas que poderíamos conversar sobre sua situação. Entramos em uma padaria, pedimos algo para tomar e ele me confessou que seu casamento estava uma desgraça, que por diversas vezes pensou em se divorciar, mas que não tinha coragem de se assumir, muito menos agora com um filho. Sua família não aceitaria sua condição sexual. Eu o aconselhei a ser ele mesmo, e deixar de enganar aquela moça, pois quanto mais o tempo passa mais difícil fica sair de uma mentira. Conversamos por um bom tempo naquele recinto e logo nos despedimos. 

Qual não foi minha surpresa há poucos meses, ao chegar em casa meu pai disse que o irmão fulano havia sido levantado para o ministério de cooperador de jovens. Sinceramente cheguei a pensar que fosse um outro irmão de mesmo nome, mas para minha surpresa tratava-se da mesma pessoa, o mesmo irmão que me assediou e que revelou ter traído a esposa com outro homem, foi posto à frente de uma igreja para ensinar os jovens sobre regras e bons costumes cristãos. Fico me perguntando: Meu Deus, quantas outras coisas ocultas não devem haver por aí?!


domingo, 13 de julho de 2014

O que estes três homens têm em comum?


Garath Thomas, ex jogador profissional de hugby galês. Ian Thorpe, australiano, campeão olímpico e ex recordista mundial de natação. Thomas Hitzelperger, alemão, ex jogador de futebol. Além de atletas de sucesso, o que mais estes três homens teriam em comum? Todos eles revelaram ser homossexuais após seus 30 anos de idade, e tentativas frustradas de relacionamentos heterossexuais. 

Para muitos homens, assumir a homossexualidade é uma tarefa extremamente difícil e dolorosa, sobretudo quando estão inseridos em sociedades e profissões predominantemente hétero-machistas, tais como no mundo do hugby e do futebol. Poucos tem a coragem de sair do armário e quebrar o estigma da presença de gays no mundo dos esportes. 

Gareth Thomas e sua ex esposa

Thomas Hitzlsperger e sua ex companheira de 8 anos
Muitas pessoas preferem dizer que "o mundo está perdido" ou que "estamos no final dos tempos", pois talvez nunca na história houve tantas pessoas corajosas assumindo que são gays. De fato, é mais fácil esconder-se atrás de uma vida hétero de fachada para ser aceito pelo grupo, mas o custo disto geralmente é muito alto. Ian, Thomas e Gareth que o digam. Todos passaram por períodos de depressão por estarem vivendo uma vida que não era propriamente deles, mas sim uma vida que a sociedade e o mundo profissional no qual eles estavam imersos esperavam deles como "homens de sucesso". 

Michael Sam



Michael Sam, 24 anos, jogador profissional de futebol americano revelou sua homossexualidade recentemente, gerando várias manifestações na mídia local e internacional. Em um relacionamento sério com Vito Cammissano, Michael Sam se sente totalmente confortável após ter assumido publicamente ser gay."Eu estou saindo do armário porque eu quero viver a minha verdade. Estou totalmente confortável com quem eu sou. Eu não queria ninguém inventando histórias sobre mim. Eu prefiro contar a minha história do jeito que eu quero."


sexta-feira, 4 de julho de 2014

As consequências de ser um enrustido

Este vídeo foi feito por um dos leitores do meu blog. São de tamanha clareza e lucidez suas palavras. Espero que este vídeo sirva de aprendizado e reflexão tanto para gays enrustidos, gays que estão pensando em se assumir, gays assumidos e heterossexuais de mente aberta.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

É hora de sair do armário

Tradicionalmente, no final de cada ano, as pessoas têm por costume colocar metas para suas vidas no ano que seguirá: emagrecer, buscar um novo trabalho, encontrar um novo amor, começar aquele curso de idiomas, entrar na faculdade etc. De fato, mudanças e novos projetos não são fáceis de serem implementados, mas, mais cedo ou mais tarde, será necessário sair da zona de conforto para dar início a algo novo.

Muitos crentes me escrevem perguntando quando seria a melhor hora para alguém sair do armário. Eu me pergunto se há, de fato, uma “hora certa” para sermos quem nós realmente somos. Uma coisa é fato: quanto mais tempo mentimos para nós e para as pessoas que nos cercam, mais difícil, complicado e constrangedor será para anunciar nossa verdadeira preferência sexual. No entanto, nunca é tarde demais. Já faz três anos que eu me assumi para meus familiares e amigos, aos vinte e cinco anos de idade. Muitas pessoas ficaram chocadas não pelo fato de eu ser gay, mas por eu ter de certa forma escondido por tantos anos, sob uma aparência heterossexual, que minha vontade e desejo estavam para as pessoas do mesmo sexo que eu. Na Congregação tive algumas namoradas, pois eu queria estar dentro das normas sociais na qual eu fui criado, mesmo sabendo que eu não sentia atração sexual por mulheres. Quando muitos dos meus parentes ficaram sabendo, alguns não acreditaram de cara, outros tiveram crise de choro (risos), mas no final das contas tive muita sorte, pois tive a aceitação, amparo e apoio da minha família. Alguns ditos amigos (sobretudo os crentes) tiveram atitudes que me deixaram muito triste na época, mas a imensa maioria não mudou a relação que sempre tivemos. Se você estiver psicologicamente preparado para contar a sua família e amigos sua inclinação sexual não deixe que isto tome anos da sua vida, pois um dia eles terão de saber de qualquer forma, isto é, se você deseja ter uma vida sem máscaras, ter um relacionamento com alguém que você ame e por quem sinta atração, e quem possivelmente frequentará seu círculo social. No primeiro momento pode haver um desconforto com notícia, pois é algo pelo que eles talvez não esperassem ouvir de você, sobretudo os pais, mas com o tempo a poeira acaba baixando e você terá o “feeling” para levar a situação adiante. Algumas famílias são muito abertas, aceitando o namorado / a namorada no convívio sócio familiar, outras até aceitam, mas preferem que não toquem no assunto (tratam o namorado / a namorada) como se fossem apenas um amigo qualquer. Alguns pais podem ter reações mais duras, ficando sem falar com o filho por algum tempo, rogam pragas (infelizmente há alguns crentes que fazem isto com seus filhos, mas entenda que eles agem assim porque eles acham que você está possuído por “demônios” e não querem que você vá para o “inferno”, de certa forma é também uma forma de mostrar preocupação e amor, por mais contraditório que pareça. Outros simplesmente não têm uma instrução sobre o que é a homossexualidade, possuindo apenas alguns “pré-conceitos”) etc. 

Pergunte a você mesmo: Até quando eu vou conseguir mentir? Quanto tempo mais da minha vida vou desperdiçar ocultando algo que é tão próprio do meu ser quanto a cor da minha pele? Quanto tempo mais eu conseguirei esconder dos outros minha preferência sexual? Vale a pena viver uma mentira, em relacionamentos héteros, para cumprir com as normas sociais? 

Faça um propósito com você mesmo e sua consciência para o ano que está por vir, e viva sua vida como ela deve ser vivida.

domingo, 25 de agosto de 2013

Se Deus é por nós, quem será contra nós?!


 
Nas últimas semanas tenho recebido no meu blog comentários homoCCBreligiosos, geralmente com erros de português gritantes, dizendo coisas do tipo “Deus criou o homem e a mulher e não dois homens”, “o homossexualismo jamais será aceito, independe da minha vontade” ,“gays nunca serão bem vindos na CCB” ou que “gays estão tomados por espíritos demoníacos”.
Àqueles que se dão ao trabalho de postar comentários no meu blog com o objetivo de fazer-me mudar de opinião, saibam que estão perdendo tempo. Não adianta citar textos bíblicos, nem querer dar lição de moral bíblica. Fui frequentador da Reunião de Jovens e Menores por mais de 11 anos, e perdi a conta de quantas reuniões da mocidade frequentei. Este blog não é para pessoas que já têm seus conceitos formados pela visão CCBista de entender as coisas e que não estão dispostas a mudar, mas sim a pessoas que, por instrução, educação e conhecimento científico e/ou vivência pessoal sabem que a homossexualidade não é nenhuma opção, mas sim uma condição humana, tanto quanto a cor de pelo à qual um indivíduo possui.
Portanto, se você é da CCB, da Assembleia de Deus, católico, ou de qualquer outra denominação, e se sentir “tentado” a deixar quaisquer comentários homoreligiosos no meu blog, não perca seu tempo, pois os mesmos não serão publicados. Busque um blog onde a homofobia possa ser manifesta, e onde pessoas com sua linha de pensamento e raciocínio irão aplaudi-lo pela ignorância da sua forma arcaica de pensar.