Retirei alguns comentários feitos por mim e por uma outra pessoa que se identifica como Cristão Gay, pois tais relatos possuem informações relevantes no que diz respeito à luta dos homossexuais evangélicos pela aceitação no seio da igreja.
A paz de Deus!
Fiquei surpreso ao ver a abordagem de um tema do meu blog em JovemCCB. Na verdade, fiquei lisonjeado.A idéia de criar um blog foi, na verdade, um grito de protesto, pois o ministério da CCB não nos ouve (os homossexuais).
Como eu contei a minha história, o homossexual evangélico passa por uma crise de aceitação interna muito mais prolongada e perigosa do que o não crente porque a igreja nos “atormenta” com a idéia do pecado e punição eterna. Ser homossexual é compreensível, desde que a pessoa permaneça em silêncio e JAMAIS pratique nenhum ato “abominável”.
Esta é uma das revoltas da maioria dos gays da CCB (e provavelmente de muitas outras igrejas evangélicas). Após passar por crises, negações, medos, sentimentos de revolta (afinal por que eu sou assim?), pensamentos suicidas, o homossexual finalmente consegue se libertar aos poucos dos entraves psicológicos gerados pela sociedade que o cerca. Como na CCB eu não encontrei auxilio nem apoio, tive de buscar no conhecimento dito humano as respostas das minhas muitas indagações. Um ancião influente de São Paulo manda os homossexuais irem ao psicólogo.
Encontrei as respostas que eu necessitava, consegui resolver meus conflitos e hoje sou feliz. Minha família, meus amigos mais próximos e alguns irmãos da CCB sabem da minha orientação. Por estes fui compreendido e nossa relação continuou a mesma. Minha essência permaneceu, minha personalidade também.
Infelizmente, a CCB não me viu com bons olhos. Muita gente se afastou de mim, unicamente pelo motivo de dizer a verdade e não fazer como muitos irmãozinhos homossexuais que conheço e que vivem uma vida dupla (e eu entendo o motivo de eles agirem assim: medo de represálias e exclusão).Em um culto, eu e um outro irmão auxiliar de jovens também homossexual fomos humilhados em uma pregação feita por um cooperador que sabe da nossa situação, onde ele dizia:“nem tudo o que parece ser é, que alguns apenas parecem serem crentes, mas não são, e que haviam homossexuais ali na igreja sentando lado a lado como se fossem casalsinho e que aquilo não seria tolerado”. Sem contar outras coisas terríveis que ele pregou que nos envergonharam perante a irmandade daquele local. A única coisa que queríamos era louvar a Deus. Indignado, fui pessoalmente ao Brás dias após e entreguei uma carta ao ancião que presidia o culto, contando em detalhes o ocorrido. Deixei meu nome, telefone, comum congregação, nome do ancião, encarregado de orquestra (pois sou músico). Meses se passaram e até agora não recebi um telefonema sequer de ninguém. Fomos ignorados. Assim é a CCB com os homossexuais. É assim que ela trata seus membros “enfermos” na fé. Por esta e outras resolvi criar o blog. Espero que muitos irmãos depressivos possam encontrar conforto nas mensagens que escrevi, para que os tais saibam que eles não estão sozinhos e que há, de fato, Deus no céu velando pelas suas almas.
Aos que ignoram e condenam os homossexuais, saibam que sua visão mudará completamente quando você tiver um filho, um sobrinho ou um parente próximo ao qual você ama e que é homossexual. Eu mesmo tinha alguns tios "superignorantes" no que diz respeito à homossexualidade. Quando eles souberam de mim, eles mudaram completamente a concepção e vêem agora que a visão que eles possuíam anteriormente era puramente baseada em preconceitos e desconhecimento. Eles jamais imaginavam que tinham alguém tão próximo deles, alguém que eles tanto admiravam (e modéstias à parte, ainda admiram) pelo esforço, dignidade e integridade, e que é gay.
Sou gay, íntegro, nunca me prostitui e jamais usei drogas. Conheço dezenas de outros gays na CCB que são igualmente pessoas altamente sociáveis e íntegras.
Abandone os conceitos errados.
Jesus veio para todos, principalmente para os excluídos.
Muitos líderes evangélicos estão preocupadíssimos com a "revolução gay". Eles acreditam que a mídia esteja incentivando homens e mulheres a se relacionarem com pessoas do mesmo sexo. "Seria o sinal do fim dos tempos". Nada mais infantil. Homossexuais sempre existiram ao longo de toda a história da humanidade. Em certos tempos e sociedades eles eram considerados "guerreiros" e, por incrível que pareça, até mais másculos do que homens heterossexuais. Estude um pouco sobre filosofia grega e verá que não estou inventando nada.
No advento Católico Romano, muitos sacerdotes homossexuais escolhiam (e ainda o fazem) o celibato como refúgio para sua orientação sexual. No entanto, como todos sabemos, muitos realmente não mantém seus votos de castidade e acabam por cometer atos ilícitos com inocentes. Outros possuem amantes, enfim, a repressão sexual tem se mostrado muito mais perigosa do que a manifestação pura, sincera e pública do amor entre dois seres adultos, hetero ou homossexuais.
A igreja precisa abrir mais os olhos para a realidade e deixar de lado a ignorância. Homossexualidade é uma realidade latente e vida de todas as igrejas. Sempre foi. Jogar a 'sujeira' para baixo to tapete ou tapar os olhos para a verdade é a pior forma de se resolver um 'problema'.
É preferível viver no "faz de contas", fingindo que gays não existem nas igrejas? Acordem para a realidade e veras que eles estao mais perto do que voces imaginam, talvez ate mesmo dentro da casa de muitos.

O QUE POUCA GENTE SABE é que aceitar-se e/ou assumir-se como sendo homossexual, ou como muitos dizem “sair do armário”, não é uma tarefa fácil para as pessoas que se encontram nesta condição, e é muito mais difícil quando se é cristão, e é mais difícil ainda quando essa pessoa pertence a um grupo cristão intolerante aos gays. Há muito choro, muita solidão, muitos porquês sem respostas, muita angustia, muita revolta e uma automutilação quase que diária, sem contar infindáveis horas gastas em oração por uma libertação que nunca chega e nem concede paz ao espírito perturbado 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.
SE NÃO BASTASSE O AUTOFLAGELO ao qual nos submetemos diariamente, ainda temos que levar as pedradas do preconceito e ignorância, pedras que geralmente são atiradas por pessoas que amamos muito e tememos um dia perder o seu amor caso saibam da nossa condição, a saber, os que sem saber atiram as pedras que nos ferem são nossos pais, familiares, irmãos da igreja, amigos da escola, colegas do trabalho e também inimigos.
POR SERMOS BICHAS NOS TRATAM COMO BICHOS. Esquecem que somos seres humanos e que temos sentimentos, violam nossa dignidade, violentam nossos direitos, nos expõem, nos difamam, nos caluniam, nos constrangem, nos humilham, nos perseguem, nos excluem e também nos matam.
De tanto de em vão lutar, de tanto implorar a Deus por uma libertação que nunca chega, uma hora só nos resta a acreditar que talvez tenhamos nascido assim, já que crescemos assim e provavelmente morreremos assim, é difícil acreditar que Deus é tão impiedoso, que não se atenta para as lagrimas sinceras e nem vem ao encontro daqueles que com o desejo de melhor servi-lo o buscam com sincero coração.
A MEDICINA. Desde 1973 as Associações de Psiquiatria e de Psicologia dos Estados Unidos deixaram de classificar o homossexualismo como doença, distúrbio ou perversão, e desde 1990 a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou o homossexualismo da lista de doenças mentais, logo, não sendo doença, não pode haver cura e nem tratamento.
PARA SER POLITICO. Digamos que a ciência ainda não tem respostas conclusivas para o comportamento homossexual, mas há estudos como o da geneticista Anne Moir da universidade inglesa de Oxford, do neurobiólogo americano Roger Gorski da Universidade da Califórnia, entre outros, que apontam que o homossexualismo é desenvolvido ainda no útero devido à dosagem de testosterona (hormônio masculino). O padrão básico de formação do corpo e cérebro do feto humano é feminino, a diferenciação ocorre entre a sexta e oitava semana quando ocorre dosagem de testosterona, uma dosagem inferior desse hormônio num feto que já assumiu o sexo masculino pode gerar um homem com cérebro de tendências femininas, já se o feto é geneticamente feminino (XX) e o seu cérebro recebe hormônio masculino (testosterona), nascerá uma mulher com estrutura cerebral masculina. Tanto é verdade, que há muito tempo os cientistas estão produzindo ratos gays em laboratório para estudar a homossexualidade.

A OPÇÃO. Dizem que ser gay é uma opção, mas depois de anos sem sucesso lutando comigo mesmo e vendo pessoas dentro e fora da igreja na mesma situação, cheguei à conclusão que a única opção que nós temos é nos aceitar ou não, é nos assumir como somos ou continuar praticando diariamente a autonegação.
BICHO COMO A GENTE. Pelo fato do bicho homem ser racional dizem que ele faz as suas escolhas, portanto, opta também ser homossexual, acontece que existem mais de 1500 espécies, que são seres irracionais, todos eles criados pelo mesmo Deus, que por algum motivo, naturalmente desenvolvem comportamento homossexual. O bicho homem, racional ou não, também é bicho, a diferença é que teoricamente pensamos e agimos racionalmente.
APESAR DE SER GAY. Orgulho-me de muitas pessoas enxergarem em mim qualidades que fazem elas ficarem inquietas consigo mesmas e terem o desejo de se tornar um ser humano melhor, apesar de ser gay sirvo de espelho para muita gente, tanto de vida quanto de fé, apesar de ser gay recebi o cargo de auxiliar de jovens e menores na igreja, apesar de gay aos domingos nos cultos para os jovens a pregação era oferecida a mim, apesar de ser gay gozo de grande respeito do ministério e irmandade pelo meu caráter, apesar de ser gay o Senhor sempre esteve comigo, inclusive, me fez instrumento na sua obra, apesar de ser gay e não achando merecimento algum em mim Deus me abençoou grandemente tanto no espiritual quanto no material.
RENUNCIAS. Por ser gay nunca aceitei o espaço cedido no púlpito, nem mesmo quando o Senhor pulsou forte em meu coração para falar a congregação, isto fiz porque temia um dia não mais conseguir me manter firme na minha determinação em não ser gay. Por saber que eu era gay, terminei o relacionamento com uma moça que muito me amava e de quem eu muito gostava, pois, eu sabia que eu não podia fazê-la feliz como ela merecia e eu não tinha o direito de estragar a vida dela.
PASSAMOS a viver melhor quando passamos a nos aceitar como somos, um peso enorme sai de nossas costas, ao deixar de se preocupar em controlar todas as situações para que jamais desconfiem de nós passamos a observar as coisas simples da vida, tal como as estrelas sobre nossas cabeças, o verde das plantas... o azul do céu. Isso pode soar estranhos a vocês leitores, mas é a pura verdade, durante 5 anos todos os dias fazia a pé o mesmo trajeto e só e nunca havia percebido as cores e formas das plantas que sempre estiveram ali, curiosamente o céu estava estrelado, a ultima vez que me recordava ter olhado eu ainda era um menino.

FATORES EXTERNOS. Há quem diga que os homossexuais são produzidos pelo meio em que vivem e experiências traumáticas vividas quando criança, não sei dizer se sou gay por ser filho de pai alcoólatra, por ter sido violentado quando criança, por ter passado fome, ou por qualquer outra coisa, só sei que sou assim, embora não quisesse e tenha tentado não ser.
SOMOS MUITOS. Estamos em toda parte, provavelmente, há alguns bem perto de você, talvez dentro da sua própria casa, há outros sentados ao seu lado na carteira da escola, sentado em frente a sua mesa do trabalho, de pé encostado em você dentro do ônibus, e também na igreja, desde os mais pequeninos até os mais graúdos, acontece que sabemos a sociedade como um todo pode ser muito mais hostil conosco do que já somos com nós mesmos, por isso, optamos pela invisibilidade.
ACREDITEM. Se juntássemos todos os gays que estão dentro da igreja buscando ao Senhor de sincero coração, encheríamos varias congregações, teríamos muitos músicos, muitos moços e moças, até mesmo casados(as) e ministros, aliás, encontramos em muitos gays cristãos qualidades que muitas vezes não vemos naqueles que se afirmam os verdadeiros servos do Deus Altíssimo.
CARICATURAS DE UM GAY é o nome que eu daria a esses gays carnavalescos com toda aquela alegoria que vemos pela TV nas paradas gays, eu respeito do direito a escolha das pessoas, mas a maioria não é assim, eu mesmo por nunca ter dito ser gay jamais desconfiaram de mim, até mesmo os amigos(as) a quem revelei minha homossexualidade não acreditaram e acharam que eu estava brincando, porém, ao verem que era verdade não deixaram de me admirar, de gostar de mim e nem de me respeitar, afinal, eles me conhecem muito bem, sabem do meu caráter, dos meu valores e o que eu já fiz pra que minha passagem na terra tenha feito alguma diferença para tornar este mundo um pouco melhor.
AFASTAM-NOS DE DEUS. Com tantos crentes doentes e intolerantes nutrindo ódio aos homossexuais dentro da igreja, não é a toa que muitos estão chegando à conclusão que o lugar mais seguro na igreja para nós é fora dela, alguns até mesmo questionam a existência de Deus, pois, não entendem o porquê da libertação do homossexual nunca vir e ainda nós sermos tratados como aberrações e, por isso, as pessoas acharem que tem o direito de ferir nossa dignidade humana.
O QUE ESPERO. Não espero que tenham pena de mim e nem das pessoas que se encontram na mesma situação que eu, também não quero que se expressem favorável aos homossexuais, quero apenas que entendam que os homossexuais são apenas mais um pecador dentro da igreja e que a única coisa que o difere dos outros pecadores (até mesmo você que lê esse comentário) é o tipo de pecado, então, antes de agir com intolerância e se deixar tomar pelo espírito do ódio na tratativa dos homossexuais, perguntem a si mesmo: “Como Jesus agiria nesta situação?”
NÃO SE DEVE TEMER a presença do gay nas igrejas, eles sempre estiveram e sempre estarão nela e nunca causaram qualquer situação ameaçadora, devemos sim temer aqueles aos fariseus que por fora se mostram santos mas por dentro são podres.
UM PEDIDO. Ter uma fé cega pode ser pior do que não ter fé nenhuma, então, ao escutar ao uma pregação sem amor e de condenação aos homossexuais: "Antes de ecoar "Amém" na sua casa e no lugar de adoração, pense e lembre-se. Uma criança está ouvindo". (Mary Griffith, mãe de Bobby, em discurso proferido no Congresso Americano em 06 de dezembro de 1995 – 8 meses após o suicídio de seu filho).
SE POR NÃO SABEREM DE NÓS outrora as pessoas nos amavam, respeitavam e até admiravam por aquilo que somos, e agora apenas por saberem de algo que sempre foi, mas não era conhecido, desculpem-me, mas essas pessoas é quem não nos merecem.
APRENDA COM QUEM JÁ APRENDEU. Oito meses após Bobby Grifth se jogar de uma ponte e ser esmagado por um caminhão de 18 rodas, sua mãe, a presbiteriana americana Mary Grifth, lendo o diário de seu filho percebeu o tamanho do sofrimento de seu, e passou a questionar a própria conduta intolerante, também passou a questionar a interpretação da Bíblia feita por sua denominação em relação aos homossexuais, por fim, ela se tornou ativista dos direitos homossexuais, chegou a discursar no Congresso Americano, veja abaixo o discurso, ela tem muito a ensinar.
A LIÇÃO DE MARY. A seguir o discurso realizado no Congresso americano em 6/12/1995, após oito meses do suicidio de seu filho: “A homossexualidade é um pecado. Os homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se ao menos eles tentassem, e tentassem com mais afinco quando não funcionasse. Estas foram às coisas que eu disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que era gay. Quando ele me disse que era homossexual, o meu mundo desmoronou-se. Eu fiz tudo que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho saltou de uma ponte e se matou (...). A morte de Bobby foi o resultado direto da ignorância e do medo dos seus pais quanto à palavra gay. Ele queria ser escritor. As suas esperanças e sonhos não deviam ter sido tirados dele, mas foram. Há crianças, como Bobby, sentados nas vossas congregações. Desconhecidos de vós, elas estarão a escutar, enquanto vocês ecoam ‘Amém’. As suas preces à Deus por compreensão, aceitação e pelo vosso amor. Mas o vosso ódio, medo e ignorância da palavra ‘gay’ irão silenciar suas preces. Por isso, antes de ecoarem ‘Amém’ na vossa casa e local de adoração, pensem! Pensem e lembrem-se uma criança está a ouvir.”