domingo, 23 de setembro de 2012

O fracasso da suposta 'cura' gay


O americano Peteson Toscano conta ter gasto USS$ 30 mil (cerca de R$ 60.500), recorrido a três tentativas de exorcismo e passado por um casamento fracassado até conseguir superar seus dilemas pessoais e aceitar que era gay.
O processo durou 17 anos e Toscano hoje milita contra tratamentos que atendem por com nomes como ''conversão'' ou ''terapia reparadora'', voltados para gays que querem mudar sua orientação sexual.
Tais práticas contam com o apoio de Igrejas fundamentalistas cristãs. E alguns dos que se submeteram a elas asseguram sua eficácia e se definem como ex-gays.
Mas Toscano, de 47 anos, afirma que não só estes processos não funcionam como também causam danos psicológicos.
Ele é de uma tradicional família ítalo-americanda do Estado de Nova York. Cristão devoto e evangélico, Toscano teve dificuldades em aceitar o que via como um conflito entre sua orientação sexual e sua fé.

'Desespero terrível'

''Eu estava fazendo algo errado pelo qual eu seria punido na outra vida. E por isso sentia muito medo e um desespero terrível'', afirma, em entrevista à BBC.
Como um adolescente que cresceu nos Estados Unidos da década de 80, Toscano viveu em uma época em que o termo ''gay'' era um sinônimo de Aids. Até 1973, psiquiatras americanos classificavam homossexuais como sendo insanos.
''Eu somei dois mais dois e cheguei ao que me parecia ser uma equação lógica, a de dizer 'isto é errado, é ruim, eu preciso consertar isso'. E 17 anos depois eu finalmente acordei e retomei a razão'', afirma.
Os anos de tratamento são uma lembrança dolorosa. Após ter entrado em depressão depois de uma entrevista à rádio pública dos Estados Unidos na qual relatou os processos a que se submeteu, ele agora evita entrar em pormenores.

Experiência traumática

Mas ele relata que um dos incidentes mais sombrios ocorreu durante seu internamento por dois anos no centro Love in Action (Amor em Ação), hoje rebatizado como Restoration Path (Caminho da Restauração), na cidade de Memphis, no Estado americano do Tennessee.
Lá, ele foi instruído a registrar todos os encontros homossexuais que já havia tido. Em seguida, pediram que ele relatasse o mais constrangedor destes encontros para sua família.
Tais terapias não se limitam, no entanto, aos Estados Unidos. Toscano visitou a Inglaterra na década de 90 a fim de se submeter a um exorcismo. Ele já tinha se submetido a dois exorcismos fracassados nos Estados Unidos.
De acordo com Peterson, esse tipo de prática ''é danosa psicologicamente especialmente para os jovens. Se você acredita nisso, você fará qualquer coisa para rasgar a sua alma''.
Nos Estados Unidos, já estão sendo tomadas medidas para proibir parcialmente as terapias de conversões para gays no Estado da Califórnia. E o governador Jerry Brown está avaliando um projeto de lei que torna ilegal a terapia reparadora para crianças. Se aprovada, será a primeira medida nesse sentido tomada no país.
Toscano tem um blog e um canal de YouTube e usa sua experiência como ator de teatro realizando apresentações nas quais procura conscientizar pessoas sobre os danos causados aos que se submetem a tratamentos para suprimir ou mudar suas orientações sexuais.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ministério da Malásia publica lista de ‘sintomas’ da homossexualidade


Material foi distribuído a participantes de evento sobre pais e filhos gays.
'Ter corpo musculoso e gostar de exibí-lo' é listada como característica gay.


O Ministério da Educação da Malásia está recomendando uma lista de características que acredita poder ajudar os pais a identificar a homossexualidade em seus filhos.

De acordo com o “Global Post”, a lista foi distribuída aos participantes de um seminário sob o tema “Como os pais devem abordar a questão dos LGBTs”, e publicada nesta quinta-feira (13) pelo diário chinês “Sin Chew Daily”.

“Jovens são facilmente influenciados por sites e blogs ligados aos grupos LGBT. Isto pode facilmente se espalhar entre os amigos. Estamos preocupados que isto aconteça durante o período escolar”, discursou o ministro da Educação, Mohd Puad Zarkashi, para cerca de 1,5 mil professores e pais no evento. 

Entre os “sintomas” listados, estão “ter um corpo musculoso e gostar de exibí-lo usando camisetas com gola V e sem mangas”, para os meninos, e “gostar de sair, fazer refeições e dormir na companhia de outras mulheres” para as meninas (veja a lista completa abaixo).

O “guia” afirma ainda que “uma vez que a criança apresente tais sintomas, [os pais] devem dar atenção imediata”.

A Malásia, um país predominantemente muçulmano conservador, mantém leis que criminalizam a homossexualidade e permitem ao Estado punir gays com até 20 anos de prisão.

Este ano, o governo disse que personagens gays podem ser representados em filmes e na televisão, desde que, ao final da história, o personagem se torne heterossexual ou demonstre arrependimento por seus modos homossexuais.

Caraterísticas

Veja a seguir a lista de “sintomas” atribuídos pelo ministério malasiano à homossexualidade em meninos e meninas.

Sintomas de gays:
  • Ter um corpo musculoso e gostar de exibí-lo usando camisas com gola V e sem mangas;
  • Preferir roupas justas e de clores claras;
  • Sentir atração por homens; e
  • Gostar de usar bolsas grandes, parecidas com as usadas por mulheres, ao sair.
Sintomas de lésbicas:
  • Atração por mulheres;
  • Se distanciar de outras mulheres que não sejam suas companhias femininas;
  • Gostar de sair, fazer refeições e dormir na companhia de mulheres; e
  • Não ter afeto por homens."
Fonte: G1

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parada gay de Jerusalém celebra 10º aniversário

Judeu ultra-ortodoxo observa comemoração da 10ª Parada Gay em Jerusalém 

Integrantes da comunidade de homossexuais, lésbicas e transexuais se concentraram em um parque do centro da cidade para comemorar o evento

Jerusalém - A cidade de Jerusalém, habituada ao conservadorismo por abrigar diversos lugares sagrados para as três religiões monoteístas, foi tingida com as cores do arco-íris nesta quinta-feira para celebrar o décimo aniversário da Parada Gay.
Integrantes da comunidade de homossexuais, lésbicas e transexuais se concentraram em um parque do centro da cidade para comemorar o evento que parece ser mais aceito nos dias de hoje, mas que há dez anos trava uma autêntica batalha contra os setores ultra-ortodoxos.
"Esta é uma oportunidade para pensar em todas as mudanças que ocorreram em Jerusalém nestes últimos dez anos", disse Elinor Sidi, presidente da Open House, uma das instituições que representa a comunidade gay em Israel.
Segundo a ativista, não existem mais ataques físicos aos gays em Jerusalém. No entanto, "apesar das mudanças", Elinor ressalta que ainda há muito que fazer.
Vestidos com trajes coloridos e extravagantes, os participantes, que eram acompanhados por um grande contingente policial, marcharam desde o Parque da Independência até o Parque Gan HaPaamon (Sino da Liberdade), onde os discursos deram espaço a uma grande festa.
Por conta do risco de um possível ataque por parte de extremistas da comunidade aultra-ortodoxa, fato que já ocorreu em edições anteriores, câmaras aéreas acompanhava o evento para garantir a segurança dos participantes.
De acordo com Elinor, essa medida de segurança e o grande desdobramento seguem uma política preventiva, mas não há nenhuma ameaça concreta.
Em sua mensagem aos participantes, a ativista se referiu aos avanços que a comunidade realizou na cidade nestes últimos anos que, segundo sua ela, não significam que "tenham normalizado" a vida dos homossexuais em relação ao restante da população.
"Ainda há alguns atos de violência (não necessariamente física) pela rejeição das pessoas. É mais difícil ser homossexual e lésbica em Jerusalém do que em Tel Aviv e Haifa", afirmou a ativista, que ressaltou que nestas duas cidades, muito mais liberais, a prefeitura contribui com as despesas da passeata.
Nos dias que antecederam a marcha, porta-vozes da comunidade ultra-ortodoxa expressaram muitas rejeições em relação à Parada Gay em Jerusalém, a qual, segundo eles, "contamina" a cidade.
A lei religiosa judaica descreve a homossexualidade como uma "abominação". 
Fonte: Exame

terça-feira, 31 de julho de 2012

Há vida lá fora - um ano e meio fora do armário


Há pouco mais de um ano e meio eu saia do armário para minha família. Fui o assunto do momento por várias semanas. A notícia se espalhou rapidamente. Ouvi e soube de várias pessoas que se chocaram, choraram e não acreditaram ao saber que eu, um irmãozinho músico, tradicional, cheio de "pretendentas" e de ótimo testemunho (modéstias à parte) era "aquilo...uma abominação". Bom, adjetivos à parte, sou sim homossexual. E dai? E dai que eu enfrentei de cabeça erguida todo este falatório, as desconfianças e maledicências que proferiram contra mim (não diretamente na minha cara, óbvio). Continuei minha vida, sendo quem eu sempre fui: um homem íntegro, trabalhador e honesto...para tristeza de muitos, é claro, já esperavam que eu iria me transformar e me liberar, sair dando escândalos, vestindo roupas femininas, e sendo o "palhacito" do bairro. Pobres almas que vivem do espetáculo alheio. 

Conquistei meu o espaço e o respeito da minha família. Meus amigos? Continuaram sendo meus amigos. Eu também descobri que alguns daqueles que se diziam meus amigos eram na verdade "falsos amigos", mas isto não me importa mais. O que importa é que hoje sou feliz. Não preciso mais dar desculpas esfarrapadas para "irmãos e irmãs santo-casamenteiros" que tanto se incomodavam com meu solteirismo, e queriam a todo custo arrancar de mim o  porquê de ainda estar sozinho. Não preciso mais arranjar namoradas de fachada, nem dizer que "Deus vai preparar uma serva no tempo certo", nem viver tendo que "bancar o hétero fervoroso", que não se casou porque priorizou se aplicar às "coisas de Deus". Esta vida de máscaras acabou. Hoje sou verdadeiro, sou eu mesmo. 

Claro, não anuncio aos quatro cantos da terra minha vida privada. Sou cauteloso e discreto. Infelizmente ainda vivemos numa sociedade homofóbica e preconceituosa e temos que ter jogo de cintura para vivermos sem maiores problemas. Mas estou liberto. Liberto para ser quem eu sempre fui. Por causa das amarras da religião precisei fingir por muitos anos ser alguém que eu não era. 

Meu conselho para aqueles que ainda estão no armário: tenha cautela, pois há um tempo determinado para todas as coisas. Esperei até meus 25 anos por este momento. O primeiro passo para sair do armário é estar bem consigo mesmo. Acredito que o primeiro desafio a ser vencido como crente é o trauma que a religião nos causa, ao afirmar que "gays são filhos do diabo", "homossexuais não tem salvação" etc. Um livro muito interessante que li e recomento é "O Código da Inteligência", de Augusto Curi. Não trata a homossexualidade diretamente, mas ajuda a encontrarmos o equilíbrio emocional em situações de trauma psico-social. "Não orbite em torno das opiniões alheias, seja você mesmo" é um dos lemas deste livro.

Ao sair do armário, você precisa estar preparado para mudanças. Infelizmente a igreja não vê com bons olhos quem se assume. É muito confortável para as igrejas evangélicas que os gays (sim, os anciães, cooperadores, pastores sabem muito bem que há muitos gays nas igrejas) não se assumam. Algumas pessoas podem afastar-se de você. Não se assuste. Você descobrirá quem são seus verdadeiros amigos (prepare-se para grandes decepções).

Nesta vida nada é garantido. Para tudo há um risco.Se não arriscarmos e não apostarmos na nossa própria felicidade, e sobretudo lealdade ao nosso próprio eu, jamais viveremos a vida como ela deve ser de fato vivida.

sábado, 5 de maio de 2012

Pastor incentiva pais a espancarem filhos que “pareçam gay”



Sean Harris, da igreja Batista Bereana, na cidade de Fayetteville, Carolina do Norte, está no centro de uma nova polêmica envolvendo os homossexuais.

Durante um sermão ele sugeriu que os pais batessem nos filhos, se perceberem que os meninos se comportam como “maricas”. “Ele incentivou os pais cristãos que é melhor quebrar ossos que “perder os filhos para a homossexualidade”.

“Portanto, o seu filho pequeno começa a agir como uma menininha, se ele tiver mais de quatro anos diga a ele para agir feito homem, tirar o vestido e ir cavar uma vala, porque é isso que os meninos devem fazer… Não pegue sua câmera e comece a tirar fotos do menino agindo como uma menina e depois coloque no YouTube para todos rirem disso… Quando você menos esperar seu garoto estará agindo com fantasias infantis que deveriam ter sido esmagadas no início. Posso ser mais claro? Pais, no instante em que vocês perceberem seu filho sem pulso firme, vá até ele e quebre aquele pulso… Cara, dê-lhe um bom soco, ok? Diga: Você não deve agir assim. Você foi feito por Deus para ser macho e você vai ser um macho. E quando sua filha começa a agir como um menino, endireite ela. Você diz, ‘Oh, não, querida. Você pode praticar esportes. Mas jogue para a glória de Deus. Você deve agir como uma menina, andar como uma menina, falar como uma menina e cheirar como uma menina. Assim você será bonita. Você será atraente. Você vai usar vestidos bonitos…”, disse ele durante o polêmico sermão.

O áudio e o vídeo foram parar na Internet e geraram uma onda de críticas. Muitos sites e blogs reproduziram o vídeo e condenaram as declarações do pastor, especialmente a comunidade GLBT. Ele pediu desculpas em um comunicado oficial, dizendo que foi tudo um mal entendido e que tiraram suas palavras de contexto.

Durante entrevista a um programa de rádio, afirmou “Sei que aquelas não foram as melhores palavras. Se eu repetisse tudo de novo, escolheria outras palavras”. Ele faz questão de dizer que não está incentivando a violência contra crianças, mas que apenas considera necessário defender “a importância da distinção de gêneros criada por Deus”, “Eu não disse que as crianças devem apanhar. (…) Não disse nada com intenção de ofender os membros da comunidade GLBT. Minha intenção era apenas comunicar a verdade da palavra de Deus sobre o casamento”, escreveu ele em seu blog.

O motivo de seu sermão e da repercussão é que a Carolina do Norte deve votar em breve a legalização do casamento gay naquele Estado. Assim como em outros Estados americanos, desde o final de 2011 existem manifestações a favor e contra a união de pessoas do mesmo.

Recentemente, o evangelista Billy Graham, que mora na Carolina do Norte, escreveu um artigo para um jornal encorajando os eleitores a votarem a favor da emenda constitucional que deve “banir” o casamento gay.

“Assistir o declínio moral do nosso país me causa grande preocupação… eu creio que o lar e o casamento, a base de nossa sociedade, devem ser protegidos”.

“Nunca imaginei”, disse Billy Graham, “que aos 93 anos teria que debater a definição de casamento. Mas a definição de Deus é clara: na Bíblia o casamento é entre um homem e uma mulher”. A declaração do pastor foi reproduzida em 14 grandes jornais americanos, e será publicada em sua íntegra neste final de semana em vários outros.


sexta-feira, 23 de março de 2012

IT GETS BETTER - Prevenindo suicídio entre jovens GLBT


"Tudo vai melhorar", é o nome da campanha lançada nos Estados Unidos, reunindo videos com mensagens encorajadoras a jovens gays e lésbicas que sofrem bullying nas escolas, no bairro onde moram e dentro de suas próprias casas.

Após ter vindo à tona na mídia americana notícias de suicídios de vários jovens homossexuais que sofriam opressão social (o famoso "bullying"), várias empresas de nome (Google, Microsoft, IBM, Apple, Sony entre outras) órgãos governamentais, atores e atrizes famosos (héteros e gays) e até mesmo o presidente americano Barack Obama publicaram vídeos com a mensagem "Tudo vai melhorar", ou "It gets better" em inglês, transmitindo palavras de alívio e esperança para jovens homossexuais. . Vários gays bem sucedidos dão seus depoimentos de como eles sofreram na infância e adolescência, sendo chamados de nomes pejorativos, até mesmo sofrendo agressão física, mas tudo passou, e "Tudo vai passar para você também. Aguente um pouco mais e você verá que vale muito a pena viver. Tudo vai melhorar", é o tema central da mensagem.


quinta-feira, 22 de março de 2012

A difícil missão de sermos nós mesmos



Em um post anterior eu havia falado sobre “a difícil missão de ocultar” a homossexualidade de parentes, amigos e da igreja. Desta vez, resolvi falar sobre dificuldade que muitos jovens gays enfrentam para serem quem eles são de verdade. 

Para a maioria da sociedade, ser homossexual é algo digno de vergonha, quando não de punição verbal ou até mesmo física, afinal ser gay seria uma “escolha”, um ato de rebeldia contra os bons princípios da sociedade como um todo. No campo religioso, a homossexualidade é vista como uma “perversão diabólica”, uma “abominação” contra Deus e sua vontade. Frequentemente religiosos (e curiosamente não religiosos também) citam passagens bíblicas para afirmarem que ser gay é algo horrendo: “E deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher[e não a outro homem], e serão ambos uma só carne”, “E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro “. E é neste ambiente de hostilidade que gays e lésbicas são criados, sentindo-se compelidos a reprimirem seus desejos e assumirem uma postura heterossexual para estarem de acordo com “as regras sociais” e com a “palavra de Deus”. 

Recentemente tenho acompanhado o processo frustrado de “saída do armário” de alguns irmãos da CCB. Um deles, um rapaz tímido, de boa conduta, músico oficializado, após tentar alguns relacionamentos com irmãzinhas e não conseguir desenvolver a “química do amor”( por razões óbvias), tentou encontrar em sua família um entendimento sobre sua condição sexual. Seus pais, psicologicamente despreparados para lidarem com a situação, possuindo apenas o entendimento teístico sobre o tema, lançaram todo o terror da religião sobre ele. Não bastasse isto, seu pai, crente batizado, disse que “se seu filho virasse isto” (ou seja, assumisse sua homossexualidade) ele o mataria. Sem apoio algum da família, e cheio de conflitos em sua mente, este jovem buscou a psicologia. Ao chegar ao consultório, ele foi orientado que a única forma de ele ser feliz seria sendo o que ele realmente é, e não o que a família e a sociedade queria que ele fosse. Ele deveria, portanto, enfrentar o preconceito e a ignorância de sua família, tentando esclarecer-lhes sua condição. Este rapaz, nascido e criado dentro da Congregação Cristã, argumentou com a psicóloga que ele era crente e que não era da “vontade de Deus” esta sua condição. Ele saiu do consultório aos prantos. Da última vez que conversamos, ele me disse que “ amorteceria seus desejos carnais” em nome de suas crenças. Infelizmente, a verdade é que ele adotou esta atitude por não encontrar apoio em sua própria família e estar em conflito consigo mesmo, conflito este causado sobretudo pela religião. 

Um outro rapaz da CCB, músico oficializado, viveu por alguns anos uma vida dupla perante a igreja e sua familia. Após ter sido descoberto sem que tivesse sido sua intenção (estava em um relacionamento com um outro rapaz da CCB), ele assumiu sua homossexualidade para sua familia, mas após algum tempo chegou à conclusão que “jamais seria feliz vivendo com um homem”, já que a religião tinha um papel muito importante em sua vida e ele jamais seria aceito na igreja vivendo desta forma. Assim sendo, após algum tempo deste ocorrido ele “voltou para o armário”, buscou uma moça da CCB, a qual certamente desconhecia sua trajetória, e se casou. 

Um terceiro jovem da CCB há algum tempo me disse que estava interessado em um colega de trabalho mas que não sabia como fazer para saber se ele também estava afim dele. Encontrando-o novamente estes dias eu perguntei como ele estava. Surpreendentemente, ele me disse que estava namorando uma “irmã da CCB”. Eu lhe questionei o motivo, e ele me disse que “por influencia do ambiente, e sobretudo da religião” ele estava namorando esta moça, e que “ele não conseguia lagar de Deus”... 

Tendo como base estas três histórias, dá para perceber que a maioria dos gays da CCB, e não somente da CCB mas também de outras igrejas evangélicas, encontram grande dificuldade em assumirem sua condição homossexual, já que os valores da religião criam um conflito muito forte em suas mentes, além de encontrarem resistência em seus parentes também evangélicos, e sobretudo o medo de perder suas identidades religiosas. Para estes, não há como assumir um relacionamento gay e continuar sendo membros da comunidade religiosa à qual eles pertencem, o que seria sinônimo de abandonar a Deus. Assim, muitos preferem buscar um casamento com alguém do sexo oposto. Em muitos destes casos, infelizmente, existe um namoro / casamento de fachada e um (ou muitos) casos amorosos paralelos com pessoas do mesmo sexo. 

Será mesmo que vale a pena viver escondido atrás da religião e de relacionamentos infelizes para agradar aos outros? Será mesmo que é esta a vontade de Deus?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pastor, eu sou gay



Fred tinha apenas 16 anos quando disse esta frase para mim. Sentado à frente da mesa do gabinete pastoral, por mais que toda a congregação sempre achasse estranho o jeito meigo e delicado de Fred, ele estava na igreja desde o nascimento. Ninguém, nem mesmo eu, acharia que isto fosse possível. Por alguns segundos, que pareceram horas, enquanto me refazia do susto, por minha cabeça passou como um filme em fast forward desde o dia em que apresentei aquele bebê a Deus.

– Bem... É... É... – Eu não sabia o que dizer. Eu não estava pronto para isso.

É muito fácil atacar o homossexualismo no púlpito, mas quando me vi diante de um jovem, dizendo o que disse, em meu gabinete pastoral, confesso que tremi por dento.

– Pode falar pastor, acho que estou preparado para qualquer coisa – me interrompeu Fred.

– Veja bem, não é isto. É que você me pegou de surpresa.

Na verdade eu não tinha nada para dizer. Eu conhecia aquele menino. Sempre deu um excelente testemunho, talvez o melhor dos crentes da minha congregação. Orava muito bem, participava dos evangelismos. Conhecia a Bíblia melhor do que todos os diáconos juntos. Cantava que era uma bênção! Como pode ser isto?



– Bem Fred – tentei começar de novo – tenho de confessar que estou desarmado. Vamos orar agora e marcamos outro dia. O assunto é complicado e não vamos resolvê-lo agora. Penso que se você veio aqui é porque quer algum tipo de ajuda.

Enquanto dizia isto, olhei nos olhos dele e pude sentir que ele queria exatamente ouvir o que acabara de dizer.

– Podemos nos falar na próxima sexta – falei quase imperativamente. Você conversou com mais alguém sobre o que acabou de me contar?

Meu medo de ele dizer sim foi enorme, mas para meu alívio, ele balançou a cabeça em sinal de negativo. Então, oramos e nos despedimos.

Depois de alguns encontros, onde tentei ganhar tempo procurando colegas mais antigos, psicólogos pastores e apelando para Deus por um milagre mosaico, como não via luz no fim do túnel, eu tive a coragem de perguntar:

– Você já... – Balancei a cabeça, franzi a testa, esperei alguns segundos...

– Não!

Por dentro eu disse: ufa! Então continuei.

– Eu não sei dizer porque isto acontece. Eu percebi toda a sua sinceridade mas para muitas coisas eu não tenho resposta. Como já te disse antes, eu quero compreender você. Eu mais do que ninguém posso testemunhar que você é um convertido ao Senhor. Eu tomei sua profissão de fé e te batizei. Infelizmente não sei explicar por qual razão seus sentimentos estão distorcidos. Mas eu quero te ajudar.

Fred me olhou com carinho. Mas antes que dissesse algo, fui em frente.

– Se você já tivesse tido relacionamentos, não sei o que seria de mim para aconselhar você, mas graças a Deus, acho que temos uma porta de escape.

Pesquisei em tudo quanto tive acesso. Ouvi gente dizer que homossexualismo é natural, é genético, é sem-vergonhice. Outros dizem que é demônio e outros que é a criação dada à criança. Sinceramente... Acho que pode ser tudo isto. E muito mais.

No caso de Fred chegamos a um consenso. Ele prometeu se manter celibatário e usar toda sua vida a serviço do Senhor, ou até que ele chegasse a um entendimento ou cura, sei lá.

Lembro de ter dito a ele que deveríamos ficar com o que temos revelado na Bíblia. O que a Bíblia condena veementemente é o ato homossexual. Como no caso de Fred ele não havia nem vivia um relacionamento homossexual, achamos que esta era a melhor solução para nós.

Ele prometeu não se envolver com garotas, pois isto poderia ser um refúgio furado, podendo não resolver o seu problema e magoar alguém. O fato é que faz 12 anos que ele está envolvido em trabalhos sociais, servindo a Deus, evangelizando e sendo uma bênção.

Se ele se curou da atração por homens? Não sei. Nunca perguntei nem ele me disse mais nada. Acho que ele vive um dia de cada vez. E eu oro, um dia de cada vez, por ele.

Ele vai para o céu? Não sei. Quem sabe é Deus. Se eu julgar pela sua confissão de fé, que permanece até hoje, pelos frutos que ele produz, tenho certeza que vamos no mesmo ônibus.

FONTE: http://www.pastorbatista.com.br

Depois de ler tudo isto, eu só tenho a perguntar: 

  • Será que este pastor, e tantos outros religiosos que lidam diretamente com casos semelhantes, ainda acha que ser gay é uma opção?
  • Será que este jovem é feliz, vivendo sem ter do seu lado alguém para amar? Como ele próprio relatou, ele é homossexual, e não assexuado. Será?
  • Será que este rapaz não mantém uma vida religiosa de fachada e uma vida clandestina aos olhos da igreja, talvez até mesmo mantendo relações promiscuas, já que ele não seria aceito se assumisse abertamente sua condição e um relacionamento com um homem que ele amasse?
  • Será? Será? Será?
Por quanto tempo mais durará  a ignorância religiosa em nome de um "Deus" que cria pessoas homossexuais para que elas sofram isoladas, amarguradas, sozinhas e oprimidas ?

domingo, 20 de novembro de 2011

Pastor De Mega Igreja Americana Sai Do Armário Aos 52 Anos

Pastor Jim Swilley Que Assumiu Ser Gay Frente A Milhares De Fiéis Afirma Estar Em Paz Com Deus

Pastor Jim Swilley que assumiu ser gay frente a milhares de fiéis afirma estar em paz com Deus

Um mês depois de sair de sua congregação como gay, um pastor Jim Swilley da Geórgia disse que nunca esteve mais feliz ou mais em paz com Deus e consigo mesmo.

“Eu tenho favor diante de Deus e do homem, e os pontos positivos na minha vida até agora superam os negativos, que eu não posso pensar em mim de outra forma, mas abençoada,” Bishop Jim Swilley da Igreja Church in the Now, disse em seu blog na terça-feira. “Estou cercado de amor, mesmo em meio à perseguição esperada”.

Foi em 13 de outubro, quando ele disse à sua congregação que ele era gay. O homem de 52 anos, que fundou a Igreja Church in the Now, explicou que duas coisas lhe foram dadas em sua vida as quais ele não pediu – o chamado de Deus em sua vida e sua orientação sexual.

Swilley, que foi casado duas vezes e tem quatro filhos, deu uma série de entrevistas mês passado, contando o dia que assumiu ser gay, afirmando sua crença de que alguém não pode deixar de ser gay.

Foi a sua ex-esposa, Debye Swilley, que o encorajou a ser “verdadeiro” com a congregação, em conformidade com o lema da Igreja: “Pessoas reais Experimentando o Deus Real no Mundo Real.”

Os dois foram casados 21 anos. Debye, a co-pastora da mega-igreja, sabia que o Bispo Swilley era gay antes de se casar. Ela insistiu que eles estavam apaixonados e que seu casamento não foi uma farsa.

Bispo Swilley disse à CNN, no entanto, que “em certo ponto, você é quem você é. Fui contra a minha natureza.”

O pastor pentecostal disse que sabia que era gay desde que tinha quatro anos.

Desde que assumiu ser gay, Swilley se recusou a participar de qualquer debate teológico sobre a homossexualidade.

“Eu não tenho desejo de me defender ou descutir as Escrituras com aqueles que não estariam abertos a qualquer coisa que eu teria para dizer. A integridade não pode ser provada, deve ser dicernida,” escreveu ele em seu blog.

Durante uma entrevista anterior à CNN, ele diz que inicialmente sentiu o chamado de Deus em sua vida e sua orientação sexual não eram compatíveis. Mas ele não respondeu à pergunta do The Christian Post para explicar a sua atual postura teológica.

Na terça-feira, no entanto, ele promoveu uma breve discussão em seu blog.

Ele afirmou que estava “ciente” do que a Bíblia chama de “abominação. “Mas acrescentou: “Aqui está uma pequena lista de algumas das coisas que a Bíblia chama de abominação…” e percorreu uma a lista de cerca de três dezenas de coisas, incluindo a trapaça, o orgulho de coração, a testemunha falsa, e comer coisas impuras.

“Eu poderia continuar, mas basta dizer que, provavelmente somos todos culpados de cometer abominações regularmente (já teve um olhar orgulhoso em seu rosto, ou come carne de porco?), “Por isso precisamos manter o uso dessa palavra em perspectiva,” escreveu ele. “Graças a Deus pelo Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo!”

Em suas entrevistas, Swilley também deixou claro que ele não acredita que alguém poderia ser “liberto de ser gay” ou mudar sua orientação sexual.

O reverendo Tom Brock, que foi assumiu sua luta contra a atração pelo mesmo sexo, no início deste ano pela revista GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros) Lavender, discorda. Há alguns que acham ser um tipo de liberdade, disse ele, e outros que simplesmente optam por não atuarem em seus desejos, inclusive ele próprio.

“Eu tenho a luta de atração pelo mesmo sexo em minha vida, mas você escolhe isso? Não sei se alguém escolhe suas tentações,” disse ele ao Christian Post.

“Minha opinião é que nós todos nascemos dos pecadores por causa do pecado de Adão – o pecado original – e ele assume diferentes formas e você não pode escolher conscientemente as tentações da vida, mas você escolhe o que fazer com eles,” disse ele.

“Eu não sei onde esse bispo está espiritualmente, mas se ele é da opinião que você pode se envolver em comportamento homossexual e ainda seguir a Cristo, ele está errado,” Brock, ex-pastor da Igreja Luterana Esperança em Minneapolis, sustenta.

Brock é um virgem de 57 anos que continua a lutar contra os desejos de pessoas do mesmo sexo, mas ele disse que ainda diz não a eles por amor de Cristo.

O Bispo Swilley saiu do Colégio dos Bispos da Comunidade Internacional da Igreja Carismática e já não está mais afiliado a organização. Ele está, no entanto, em diálogo com outra rede internacional sobre possível ordenação e filiação. Enquanto isso, ele continua a pastorear a Igreja Chuch in the Now. Com muito apoio de sua congregação, ele disse que pretende manter a pregação sobre a graça, amor e tolerância.


FONTE: Adoração Gospel