terça-feira, 30 de junho de 2015

Homens gays relatam drama de viver casamentos de fachada com mulheres

Décadas atrás, quando os gays da Grã-Bretanha e de outros países ocidentais tinham de enfrentar o ostracismo e viviam sob a ameaça de serem processados, muitos optaram por se casar e esconder sua sexualidade.
Mas mesmo agora, com uma aceitação crescente, alguns continuam optando pelo mesmo caminho.
Nick, que está na casa dos 50 anos, é casado com sua esposa há 30 anos. Ele é gay.
Ele acha que sua mulher suspeitava há muitos anos de sua sexualidade, mas conta que tudo veio à tona quando ele teve um relacionamento com outro homem.
"Ela (esposa) perguntou se eu queria deixá-la, mas eu não queria. Acima de tudo, ela é minha melhor amiga. Então decidimos que continuaríamos juntos como melhores amigos", diz.
Nick não é seu nome real – muitos amigos e parentes do casal não sabem que ele é gay e ele prefere se manter anônimo para proteger sua esposa.
Ele conta que, desde o começo, o casamento não era completo, com muitas dúvidas sobre se eles haviam feito a coisa certa. Ele sempre teve dúvidas sobre sua orientação sexual, e isso se agravou com o tempo.

Tolerância

Grupo de apoio
'Não existimos no mundo gay porque somos casados'

Como muitos outros homens nessa situação, Nick se viu vivendo uma vida dupla. Na superfície, ele era um homem em um casamento feliz. Mas ele também tinha o hábito de ver pornografia gay. E conta que há seis anos, acabou se relacionando com um amigo gay quando ambos ficaram bêbados.
Nick conta que sua esposa ficou irritada e desapontada quando ela descobriu, e que, àquela altura, ele não tinha mais como negar que era gay.
"Senti que era a oportunidade ideal para ser honesto e contar para ela sobre algo que ela já suspeitava. Então, concordamos que eu se eu não fizesse mais isso, não tocaríamos no assunto – e quando voltasse a acontecer, iríamos falar sobre isso."
Nick admite que seria melhor para sua esposa se ele tivesse admitido antes que era gay. Ela lhe disse que estava desapontada porque ele não havia confiado nela.
"Eu ainda me sinto totalmente grato a ela todos os dias por ela ser tão tolerante", conta.
O casal optou por permanecer junto não por conta das crianças, já que eles não têm filhos, mas, sim, pelos sentimentos que nutrem um pelo outro.
"Está tudo bem com a minha esposa. Tanto que ainda amamos um ao outro e ainda estamos juntos. Mas as coisas poderiam ter sido bem diferentes."
Apesar de o casal continuar junto, eles agora dormem em quartos separados.
Nick prometeu à mulher que ele não vai mais ter relações sexuais com outros homens – ele diz que deve isso a ela.
Mas será que ele consegue manter sua promessa. "Espero que sim. Essa é minha intenção. Sinto como se não tivesse tido uma opção no passado, como se algo tivesse sido imposto a mim. Agora estou tomando a decisão que me parece acertada, que é manter o celibato."
Nick participa de um grupo de apoio chamado Gay Married Men (Homens gays casados), que tem sede na cidade britânica de Manchester e foi fundado há 10 anos. Vários homens viajam de outras partes do país para participar das reuniões.
O fundador do grupo, que prefere ser chamado apenas de John, conta que os homens são, em sua maioria, mais velhos, sendo que muitos casaram nos anos 70 e 80, quando a sociedade era mais hostil aos gays.
Mas por que então eles se casaram?
Nick conta que muitos dos participantes participam do grupo justamente para tentarem se entender.
Andy, de 56 anos, dá seu depoimento: "Alguns achavam que estavam apenas passando por uma fase e que logo encontraria uma mulher que o transformaria em uma homem de verdade, como muita gente dizia."
John, um professor de Manchester que foi casado por sete anos, diz que ele demorou para perceber que era gay. Ele sabia que sua sexualidade era ambígua, mas ele não tinha nem vocabulário para defini-la.
"Eu não sabia como era um homem gay. Na verdade, eu sabia que os gays era afeminados. E eu não me sentia assim. Logo, eu não poderia ser gay, não é?"
Os membros do grupo estão em diferentes estágios. Alguns apenas suspeitam que sejam gays, enquanto outros vivem ou viveram com suas esposas, sendo que algumas delas já se casaram com outros homens.
John agora é casado com um homem que é seu parceiro há 23 anos. Andy está se divorciando de sua mulher após 30 anos de casamento e quatro filhos.
"Eu ainda a amo. Nós somos muitos próximos. Somos melhores amigos – o que pode soar estranho para alguns, mas temos quatro filhos juntos…"
Mas muitos outros continuam casados seja por conta da expectativa de amigos e parentes ou porque eles têm filhos e não querem que a família se separe.
Jonh diz que muitos homens se veem desesperados e sem nenhum apoio – muitos sofrem de depressão severa.
"Já vimos muitos caírem no choro porque eles estavam decepcionados e agora estão aliviados por terem descoberto que há outros homens na mesma situação. Porque isso é parte do problema, nós somos um mito, não existimos", conta John.
"Não existimos no mundo gay. Estamos no limite do mundo gay porque somos casados. E não existimos também no mundo hétero. Então, somos invisíveis."
Os membros do grupo dizem que não julgam pessoas como Nick e que a mensagem principal é a de que esses homens não precisam passar por isso sozinhos.
"Há pessoas que estão conseguindo lidar com sua sexualidade e sua família. Eles ainda se relacionam com os filhos, não foram cortados do relacionamento familiar", conta Nick.
"Eu, definitivamente, estou mais feliz agora – ser honesto com a minha mulher me tirou um peso das costas."
Fonte: BBC

terça-feira, 23 de junho de 2015

Ao Ministério da Congregação Cristã no Brasil

Uma Carta ao Ministério da Congregação Cristã no Brasil

Queridos irmãos Anciães, Cooperadores, Cooperados de Jovens e Diáconos, a Santa Paz de Deus seja convosco!

Em nome dos milhares de rapazes e moças homossexuais da Congregação Cristã no Brasil, deixo minhas considerações sobre vossas recentes pregações no tocante à homossexualidade, dentro dos inúmeros templos espalhados pelo nosso país.

Todas as vezes que os irmãos abordarem este tema, tenham em mente que garotos muito jovens estão ouvindo vossa pregação. Quer vocês aceitem ou não, a homossexualidade não é um comportamento aprendido, mas sim uma tendência involuntária que abrange cerca de 10% de toda a população mundial, e vossos filhos, netos e bisnetos não serão poupados desta estatística pelo simples fato de vocês proferirem ameaças de condenação eterna em um lago de fogo ardente caso eles sejam gays. Se vocês fossem mais próximos da mocidade, iram notar que desde criança alguns meninos são mais delicados que outros, apresentam gostos e preferencias que divergem da maioria do grupo, e muito certamente estes meninos se tornarão adultos gays. Isto é explicado pela psicologia e pela pedagogia, e não se trata de influência externa. Portanto, abandonem o preconceito de que as pessoas se tornam gays por influência externa, quando esta é, de fato uma característica inata de muitos seres humanos.

Muitos dos irmãos sabem que a Congregação está repleta de rapazes gays, mas não querem que estes moços entendam sua própria sexualidade, obrigando-os através de terror psicológico, isto é, ameaça de condenação eterna, a se camuflarem no meio da multidão, fingindo serem héteros seletivos que não querem se casar para ter uma melhor condição financeira. Vemos moços beirando os 30 anos sem nenhum interesse por mulher e os irmãos querem mesmo que o povo acredite que eles estão esperando em Deus? Sejamos realistas e encaremos os fatos, estes rapazes são gays e é melhor mesmo que eles não se casem com nenhuma irmãzinha, a menos que ela esteja ciente de que irão contrair matrimônio com alguém que gosta da mesma coisa que ela, mas que para manter as aparências prefere se casar para evitar cobranças sociais.

Parem também de usar Romanos I para oprimir os milhares de crentes homossexuais através de vossas pregações. Leiam e releiam mil vezes este capítulo antes de qualquer pregação. Entendam qual era a ideia de Paulo sobre a homossexualidade: pessoas que não se interessavam por Deus e nem queriam saber dele foram entregues à paixões da carne. É este o caso dos gays aos quais vocês estão pregando? Acredito que não, e vocês também sabem que não, pois são auxiliares, músicos, meninos que vocês viram crescer desde os primeiros passos na RJM recitando salmos e que sempre adoraram ao Deus de Israel, buscando sempre seus conselhos. Além do mais, para Paulo estes supostos gays eram iníquos, malignos, homicidas, aborrecedores de pai e mãe. Qual é a relação deste capítulo com a mocidade homossexual à qual vocês estão pregando? NENHUMA, portanto adequem vossas pregações e sejam coerentes. Citar Levítico para suportar vosso preconceito contra gays?  Nem pensar, a menos que vocês também sejam a favor de outras leis leviticas como abster -se de frutos do mar, não usar roupas de dois tecidos diferentes, apedrejar até a morte filhos desobedientes, e tantas outras coisas sem sentido para a nossa sociedade moderna. Também não vale argumentar que Deus criou macho e fêmea, e mandou-os encher a terra. Quando isto aconteceu a terra só tinha Adão e Eva, hoje somos mais de 7 bilhões e até 2050 seremos quase 10 bilhões. A terra já parece estar bastante cheia não parece? E mesmo assim, quando "macho e fêmea" cristãos se casam hoje em dia evitam filhos através de métodos contraceptivos, aparentemente ferindo o mandamento bíblico de reprodução? Por que isto é tolerado e o cristão homossexual é condenado? 

Pensem que a cada vez que vocês falam contra a homossexualidade vocês estão ferindo na alma uma boa parcela da mocidade que vive um conflito de FÉ x SEXUALIDADE, conflito este causado pela própria Igreja, levando centenas de jovens gays à depressão e muitos até mesmo ao suicídio. 

Lembrem-se de que a missão de Cristo na terra era a de Salvar, e não a de condenar. Aliás, Jesus condenou apenas o sistema religioso de sua época, o judaismo, o qual se atinha a ritos, dogmas e formalidades. Jesus foi um revolucionário da sua própria fé, questionando a condenação daqueles que quebravam o sábado e desafiando o excesso de zelo dos escribas e fariseus. Antes de proferir qualquer palavra contra os homossexuais em vossa próxima pregação pensem duas vezes e reflitam: Será que Jesus falaria isto?

E para finalizar, é bom lembrar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade do nosso tempo, portanto mesmo que a igreja não aceite este tipo de união é dever de todos respeitar as decisões que cada indivíduo toma sobre sua vida. Assim como cada um pode escolher qual religião praticar, também pode escolher com quem se unir e se casar, e esta decisão deve ser respeitada. Também não se esqueçam que nossa constituição garante o direito à integridade moral do ser humano, então nada de chamar casais homossexuais de aberrações, filhos do demônio nem nada do gênero. Lembrem-se de como Jesus tratava os que iam após si. 

Deus vos abençoe e vos revista de sabedoria para pregar.

Vosso irmão em Cristo.




segunda-feira, 15 de junho de 2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Irmão gay é levantado para cooperador de jovens



Recentemente um certo irmão da minha região, cujo nome prefiro omitir, foi levantado para o ministério de cooperador de jovens. Este mesmo irmão foi auxiliar de jovens na minha primeira comum congregação. Músico e de família tradicional na CCB, lembro-me dele pregando a palavra na RJM por diversas vezes no final dos anos 90. Na época eu era um pré-adolescente. Ele era uns 4 ou 5 anos mais velho que eu. Nunca fomos amigos, nem inimigos. Ele pertencia a um grupinho  "seleto" de irmãos mais populares, enquanto que e estava dando meus primeiros passos dentro daquela igreja.

Os anos se passaram e este irmão se casou com uma daquelas irmãzinhas também populares, organista, da mesma comúm. A esta altura eu já havia mudado de comum, e acabei não tendo tanto contato mais com aquele rapaz.

Mais alguns anos se passaram. Estamos agora no ano de 2012. Estava eu no meu trajeto de volta do trabalho aguardando o metrô chegar e, de repente, avisto aquele mesmo rapaz que pregava nos cultos da RJM, lá no final dos anos 90 na minha ex comum. A esta altura eu já havia me assumido como gay e já não ia mais à igreja com a mesma frequência. Ao avistá-lo, continuei mexendo no meu celular, sem dar nenhum sinal de que eu o conhecia. Logo chegou o trem e embarcamos em portas diferentes, porém no mesmo vagão. Continuei ouvindo minhas músicas, como de costume. Algumas estações mais a frente, surpreendentemente, aquele homem se aproximou de mim e disse que me conhecia de algum lugar, mas não sabia de onde....Logo tratei de refrescar sua memória, dizendo que nós fizemos comum na mesma congregação por algum tempo, quando eu ainda era quase uma criança. Na verdade, não acreditei na versão de que ele não se lembrava de onde me conhecia, mas estou convencido de que ele queria apenas puxar assunto de alguma forma por saber da minha saída do armário pelo que irei relatar a seguir.

Logo percebi naquele rapaz um interesse particular por saber da minha vida, dos porquês de eu não estar mais na CCB. Então, sem nenhum rodeio, contei a ele que eu havia me assumido homossexual, e que por isto havia deixado de congregar como antes, pois sabia que a igreja não via com bons olhos pessoas que se assumem.  Era tudo o que ele precisava ouvir para entrar de vez neste assunto. De cara ele me disse: "fora os muitos enrustidos que estão lá na igreja". A conversa se desenrolou por esta linha até que nossa estação de desembarque chegou. Quando descemos, e indo pelo mesmo caminho, ele me confessou que sentia-se atraído por homens e que inclusive já havia tido algumas experiências homossexuais, antes e depois de casado. A esta altura da conversa ele olhava para mim de uma forma diferente, como quem estivesse me desejando e, por fim, me convidou para ir a sua casa. Disse que sua esposa não estaria lá e que por isso teriamos a casa somente para nós. Fiquei um pouco assustado com tamanha ousadia, e de pronto lhe disse que eu não iria, mas que poderíamos conversar sobre sua situação. Entramos em uma padaria, pedimos algo para tomar e ele me confessou que seu casamento estava uma desgraça, que por diversas vezes pensou em se divorciar, mas que não tinha coragem de se assumir, muito menos agora com um filho. Sua família não aceitaria sua condição sexual. Eu o aconselhei a ser ele mesmo, e deixar de enganar aquela moça, pois quanto mais o tempo passa mais difícil fica sair de uma mentira. Conversamos por um bom tempo naquele recinto e logo nos despedimos. 

Qual não foi minha surpresa há poucos meses, ao chegar em casa meu pai disse que o irmão fulano havia sido levantado para o ministério de cooperador de jovens. Sinceramente cheguei a pensar que fosse um outro irmão de mesmo nome, mas para minha surpresa tratava-se da mesma pessoa, o mesmo irmão que me assediou e que revelou ter traído a esposa com outro homem, foi posto à frente de uma igreja para ensinar os jovens sobre regras e bons costumes cristãos. Fico me perguntando: Meu Deus, quantas outras coisas ocultas não devem haver por aí?!


domingo, 13 de julho de 2014

O que estes três homens têm em comum?


Garath Thomas, ex jogador profissional de hugby galês. Ian Thorpe, australiano, campeão olímpico e ex recordista mundial de natação. Thomas Hitzelperger, alemão, ex jogador de futebol. Além de atletas de sucesso, o que mais estes três homens teriam em comum? Todos eles revelaram ser homossexuais após seus 30 anos de idade, e tentativas frustradas de relacionamentos heterossexuais. 

Para muitos homens, assumir a homossexualidade é uma tarefa extremamente difícil e dolorosa, sobretudo quando estão inseridos em sociedades e profissões predominantemente hétero-machistas, tais como no mundo do hugby e do futebol. Poucos tem a coragem de sair do armário e quebrar o estigma da presença de gays no mundo dos esportes. 

Gareth Thomas e sua ex esposa

Thomas Hitzlsperger e sua ex companheira de 8 anos
Muitas pessoas preferem dizer que "o mundo está perdido" ou que "estamos no final dos tempos", pois talvez nunca na história houve tantas pessoas corajosas assumindo que são gays. De fato, é mais fácil esconder-se atrás de uma vida hétero de fachada para ser aceito pelo grupo, mas o custo disto geralmente é muito alto. Ian, Thomas e Gareth que o digam. Todos passaram por períodos de depressão por estarem vivendo uma vida que não era propriamente deles, mas sim uma vida que a sociedade e o mundo profissional no qual eles estavam imersos esperavam deles como "homens de sucesso". 

Michael Sam



Michael Sam, 24 anos, jogador profissional de futebol americano revelou sua homossexualidade recentemente, gerando várias manifestações na mídia local e internacional. Em um relacionamento sério com Vito Cammissano, Michael Sam se sente totalmente confortável após ter assumido publicamente ser gay."Eu estou saindo do armário porque eu quero viver a minha verdade. Estou totalmente confortável com quem eu sou. Eu não queria ninguém inventando histórias sobre mim. Eu prefiro contar a minha história do jeito que eu quero."


sexta-feira, 4 de julho de 2014

As consequências de ser um enrustido

Este vídeo foi feito por um dos leitores do meu blog. São de tamanha clareza e lucidez suas palavras. Espero que este vídeo sirva de aprendizado e reflexão tanto para gays enrustidos, gays que estão pensando em se assumir, gays assumidos e heterossexuais de mente aberta.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

É hora de sair do armário

Tradicionalmente, no final de cada ano, as pessoas têm por costume colocar metas para suas vidas no ano que seguirá: emagrecer, buscar um novo trabalho, encontrar um novo amor, começar aquele curso de idiomas, entrar na faculdade etc. De fato, mudanças e novos projetos não são fáceis de serem implementados, mas, mais cedo ou mais tarde, será necessário sair da zona de conforto para dar início a algo novo.

Muitos crentes me escrevem perguntando quando seria a melhor hora para alguém sair do armário. Eu me pergunto se há, de fato, uma “hora certa” para sermos quem nós realmente somos. Uma coisa é fato: quanto mais tempo mentimos para nós e para as pessoas que nos cercam, mais difícil, complicado e constrangedor será para anunciar nossa verdadeira preferência sexual. No entanto, nunca é tarde demais. Já faz três anos que eu me assumi para meus familiares e amigos, aos vinte e cinco anos de idade. Muitas pessoas ficaram chocadas não pelo fato de eu ser gay, mas por eu ter de certa forma escondido por tantos anos, sob uma aparência heterossexual, que minha vontade e desejo estavam para as pessoas do mesmo sexo que eu. Na Congregação tive algumas namoradas, pois eu queria estar dentro das normas sociais na qual eu fui criado, mesmo sabendo que eu não sentia atração sexual por mulheres. Quando muitos dos meus parentes ficaram sabendo, alguns não acreditaram de cara, outros tiveram crise de choro (risos), mas no final das contas tive muita sorte, pois tive a aceitação, amparo e apoio da minha família. Alguns ditos amigos (sobretudo os crentes) tiveram atitudes que me deixaram muito triste na época, mas a imensa maioria não mudou a relação que sempre tivemos. Se você estiver psicologicamente preparado para contar a sua família e amigos sua inclinação sexual não deixe que isto tome anos da sua vida, pois um dia eles terão de saber de qualquer forma, isto é, se você deseja ter uma vida sem máscaras, ter um relacionamento com alguém que você ame e por quem sinta atração, e quem possivelmente frequentará seu círculo social. No primeiro momento pode haver um desconforto com notícia, pois é algo pelo que eles talvez não esperassem ouvir de você, sobretudo os pais, mas com o tempo a poeira acaba baixando e você terá o “feeling” para levar a situação adiante. Algumas famílias são muito abertas, aceitando o namorado / a namorada no convívio sócio familiar, outras até aceitam, mas preferem que não toquem no assunto (tratam o namorado / a namorada) como se fossem apenas um amigo qualquer. Alguns pais podem ter reações mais duras, ficando sem falar com o filho por algum tempo, rogam pragas (infelizmente há alguns crentes que fazem isto com seus filhos, mas entenda que eles agem assim porque eles acham que você está possuído por “demônios” e não querem que você vá para o “inferno”, de certa forma é também uma forma de mostrar preocupação e amor, por mais contraditório que pareça. Outros simplesmente não têm uma instrução sobre o que é a homossexualidade, possuindo apenas alguns “pré-conceitos”) etc. 

Pergunte a você mesmo: Até quando eu vou conseguir mentir? Quanto tempo mais da minha vida vou desperdiçar ocultando algo que é tão próprio do meu ser quanto a cor da minha pele? Quanto tempo mais eu conseguirei esconder dos outros minha preferência sexual? Vale a pena viver uma mentira, em relacionamentos héteros, para cumprir com as normas sociais? 

Faça um propósito com você mesmo e sua consciência para o ano que está por vir, e viva sua vida como ela deve ser vivida.

domingo, 25 de agosto de 2013

Se Deus é por nós, quem será contra nós?!


 
Nas últimas semanas tenho recebido no meu blog comentários homoCCBreligiosos, geralmente com erros de português gritantes, dizendo coisas do tipo “Deus criou o homem e a mulher e não dois homens”, “o homossexualismo jamais será aceito, independe da minha vontade” ,“gays nunca serão bem vindos na CCB” ou que “gays estão tomados por espíritos demoníacos”.
Àqueles que se dão ao trabalho de postar comentários no meu blog com o objetivo de fazer-me mudar de opinião, saibam que estão perdendo tempo. Não adianta citar textos bíblicos, nem querer dar lição de moral bíblica. Fui frequentador da Reunião de Jovens e Menores por mais de 11 anos, e perdi a conta de quantas reuniões da mocidade frequentei. Este blog não é para pessoas que já têm seus conceitos formados pela visão CCBista de entender as coisas e que não estão dispostas a mudar, mas sim a pessoas que, por instrução, educação e conhecimento científico e/ou vivência pessoal sabem que a homossexualidade não é nenhuma opção, mas sim uma condição humana, tanto quanto a cor de pelo à qual um indivíduo possui.
Portanto, se você é da CCB, da Assembleia de Deus, católico, ou de qualquer outra denominação, e se sentir “tentado” a deixar quaisquer comentários homoreligiosos no meu blog, não perca seu tempo, pois os mesmos não serão publicados. Busque um blog onde a homofobia possa ser manifesta, e onde pessoas com sua linha de pensamento e raciocínio irão aplaudi-lo pela ignorância da sua forma arcaica de pensar.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Qual a sua Condição Sexual?


Por Jonatas Silva Macedo
Certa ocasião, fui questionado sobre qual seria minha opção sexual. Respondi: "Nenhuma".

Questionado sobre minha orientação sexual, respondi: "Hétero".

Isso porque "opção" é algo pelo qual se opina e eu não optei por ser como sou. E "orientação" é aquilo pelo qual fomos orientados ser, e eu como todos fui orientado a ser hétero.

Quando se fala em condição sexual se fala da forma que somos. Algo pelo qual não optamos ou fomos orientados a ser, simplesmente nascemos assim.

Ninguém opta por ser hétero, gay, bissexual etc. Você pode optar viver sobre alguma dessas condições, porém, dentro de você os seus desejos pedirão por aquilo que você deseja de verdade.

Quando percebemos que somos diferentes, que nascemos sobre uma condição diferente da maioria, somos orientados por muitos a nos adaptar e a viver como os demais. Mais isso também é inútil. Ninguém é feliz vivendo o que não é. Não se aceitando como é.

Crescemos com a crença de que o certo é ser hétero, qualquer outra condição é errada, contra as leis de Deus, é semvergonhice, opção, um demônio. Qualquer outra coisa, menos uma condição sobre a qual nascemos.

Me vêm em mente algumas perguntas:

"Quem gosta de sofrer preconceito?", "Quem gosta de ser rejeitado?", "Quem gosta de ser apontado como pederasta, promíscuo, endemoniado, semvergonha etc?" Ninguém.

É difícil para um gay, uma lésbica, um bissexual se aceitar, quando se vive em uma sociedade onde estão taxados o "certo" e o "errado".
Quando nos descobrimos diferentes, ficamos assustados, com medo. Procuramos ser iguais, viver como os demais. Mas não conseguimos. Percebemos que não estamos comento crime algum em sermos nós, em sermos como somos. Não há o que mudar, do que se libertar. Nascemos assim.

Podemos camuflar, criar uma vida fictícia moldada aos exemplos da sociedade, mas seremos infelizes, amargurados. Só se é feliz quando se aceita e se vive como é.

Quando me descobri gay, passei por crises de busca de libertação, não aceitação. Era difícil para um adolescente vindo de um família evangélica, filho de pastor, se aceitar como gay.

Com o tempo fui conquistando minha independência, conhecendo pessoas e pessoas, analisando o meu caráter, meus objetivos. Percebi que existem gays na polícia, na Marinha, no Exército, na Aeronáutica, assim como existem héteros. Existem gays médicos, advogados, professores, assim como existem héteros. Existem gays na política, gays ladrões, promíscuos que só vivem de sexo e para o sexo, assim como existem héteros.

Ser gay só diferencia a forma do prazer sexual e conjugal que é sentido pelo igual, fora isso somos todos iguais.

Me aceitando como eu era, tinha chegado a hora de minha família e amigos me conhecerem a fundo e me aceitarem também. Precisei antes conquistar minha independência. Cada caso é um caso e para cada ação existe uma reação. Se eu fosse rejeitado, eu precisava ter uma segurança.

Contei para todos do meu convívio. Para os que questionavam o fato de eu ser gay, eu questionava o fato de eles serem héteros. Quem pedia para eu tentar ser hétero eu pedia para tentar ser gay, se eles conseguissem ser gays, eu também conseguiria ser hétero.

Dizia isso para fazê-los entender que ninguém vive sob orientação ou opção sexual, vivemos sob a condição sobre a qual nascemos. Gays, héteros, lésbicas, bissexuais...
http://jonatassilvamacedo.blogspot.com

domingo, 28 de abril de 2013

Primeiro culto de 'igreja gay' em São Paulo é animado e dura 2h30

Igreja Cristã Contemporânea de São Paulo, fundada no sábado (27), contou com a presença de casal que celebrou sua união em programa de Pedro Bial
Congregação, conhecida popularmente como a igreja gay, já possui seis unidades no Rio de Janeiro(Foto: Silvana Garzaro)

“Tá com a chave da vitória, hein!”

“Amém!”

As boas-vindas no primeiro culto da Igreja Cristã Contemporânea em São Paulo vieram como elogio ao pingente em formato de chave que uma mulher usava no pescoço. O enfeite também pode representar o símbolo de uma luta que a congregação, nascida no Rio, defende há pelo menos seis anos, quando foi fundada: uma sociedade livre de preconceitos, principalmente contra homossexuais.
Ocorrida no sábado (27), a celebração teve início pontualmente às 19h e foi acabar quase às 22h. Mais de 200 pessoas estiveram presentes na inauguração da primeira unidade paulista da igreja, localizada à Rua Platina, 190, n
o Tatuapé. A maioria dos presentes eram homens do Rio de Janeiro, que vestiam terno e gravata. Lotaram três ônibus especialmente para vir conferir a inauguração. Alguns moradores da capital também marcaram presença – e foram tomados por uma grande emoção ao longo do culto.
Culto da Igreja Cristã Contemporânea de São Paulo recebe mais de 200 pessoas

(Foto: Silvana Garzaro)
 A presença de Deus é algo que nos enche e nos emociona”, disse o empresário Rickardo Lima, de 37 anos, que durante quase toda a cerimônia chorou, com os olhos fechados e os braços abertos. “Eu já os conhecia do Rio. Sem dúvida, vou me tornar um membro da igreja.”
A congregação, conhecida popularmente como a igreja gay, já possui seis unidades no Rio de Janeiro (a primeira foi em Madureira, onde hoje funciona a sede), uma em Belo Horizonte e agora esta em São Paulo. Fundada pelo casal Fabio Inácio de Souza, de 33 anos, e Marcos Gladstone, de 37, ela se difere das demais igrejas evangélicas unicamente pelo fato de ser inclusiva. “Um dos louvores que entoamos diz justamente que ‘você não nasceu para sofrer’”, diz Fabio. “Eu entrei para a igreja achando que Deus não me amava, como muitos que chegam até nós ainda acreditam.” Sendo inclusiva, a Igreja Cristã Contemporânea pretende portanto agregar tanto heteros, quanto homossexuais.
Em nome dos pais, das mães e dos filhos
Tanto Fabio, quanto Marcos foram noivos anteriormente de mulheres por quatro anos. Há quase sete anos casados (conheceram-se pouco tempo depois de a igreja ter sido erguida), adotaram juntos dois filhos – Felipe, de 9 anos, e Davidson, de 10 -, há pouco mais de dois anos. Durante a entrevista concedida aVEJASAOPAULO.COM, os meninos iam e vinham distribuindo abraços e beijos carinhosos nos pais. “Para eles, ter dois pais é algo natural.”
Davidson e Felipe não eram as únicas crianças no primeiro culto paulista. Ana Beatriz, de 4 anos, também estava acompanhando as mães, a manicure Izabel Betiany e a operadora de telemarketing e pastora Lucia Carrilho, responsável pela unidade de Caxias (RJ), da Igreja Contemporânea. Elas possuem a guarda compartilhada da menina junto com a mãe biológica. Ana Beatriz chegou até elas por meio da Amovi (Associação Amor e Vida em Assistência à Criança e ao Idoso), projeto social fundado por Lucia que atende atualmente 40 crianças carentes e 24 idosos.
“A Maria Cristina, mãe da Ana Beatriz, tem outros quatros filhos e não tem condição de criá-la”, explica Lucia. “Cuidamos dela desde os seus 10 meses e ela sempre vai visitar e passar um tempo com a mãe biológica. Ana Beatriz diz sempre que tem três mães.” Segundo a pastora, a menina adora a igreja e fala com naturalidade sobre os “companheiros” dos amigos de suas mães.
Lucia fundou o projeto social depois de conseguir largar as drogas: foi viciada em cocaína durante sete anos, metade do tempo em que está ao lado de sua mulher. “Da condição de ‘cuidada’ passei a cuidar. Hoje tenho 106 membros na igreja onde ministro, em Caxias. Não tenho palavras para dizer quão gratificante é essa experiência”, afirma.
“As promessas do pai vão se cumprir na sua vida”
O culto foi bastante animado: as canções de louvor, cujas letras eram projetadas na parede decorada com um céu azul entre nuvens, foram acompanhadas por uma banda ao vivo (com guitarra, violão, bateria e sopros) e um coro. O som serviu como trilha de uma peça sem diálogos, que rapidamente encenou a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo. Havia também um coro formado por quatro pessoas. Os estilos variaram do pop ao rock, passando até pelo samba.
As pessoas, em sua maioria, pareciam saber as músicas de cor e, por isso, não faziam questão de manter os olhos abertos: dançavam com os braços para cima e a cabeça abaixada, cantando bem alto. No meio disso, um cumprimento desejava ao próximo o melhor, que ainda estava para acontecer: “As promessas do pai vão se cumprir na sua vida” (seria o equivalente à “paz de Cristo” da Igreja Católica, mas com direito a abraços, sorrisos e beijos no rosto). Os que estavam com o seu companheiro ao lado entoavam os hinos abraçados. Duas engajadas mulheres levaram seu próprio pandeiro para ajudar no tom do culto, da plateia mesmo.
No controle de todo este som estava a secretária Aline Peixoto, de 35 anos, casada há 18 anos com a pedagoga Simone Queiroz, de 46, uma das vozes do coro oficial. As duas ficaram conhecidas nacionalmente depois de celebrarem o seu amor no palco do programa Na Moral, de Pedro Bial, em julho do ano passado. “Cerca de 85% das pessoas que vieram falar com a gente depois que aparecemos na TV tiveram uma reação positiva. Foi muito show, quase um desfile de miss”, diverte-se Simone.
Os outros 15%... bem, não fizeram muita diferença. “A pessoa pode até carregar um preconceito dentro dela. Mas é você que tem o poder de sentir esse preconceito ou ignorá-lo”, diz Simone, para em seguida ser complementada por Aline: “Ainda falta amor ao próximo.” Simone tem dois filhos do primeiro casamento – Ana Carolina, de 24 anos, e Rodrigo, de 19 -, mas ainda pensa em adotar mais um com Aline.
Mais para o fim do culto, era chegada a hora do dízimo. Envelopes amarelos (a mesma cor da igreja) foram entregues a todos os presentes, para colocarem ali o valor que julgassem justo. Os membros que estavam sentados perto da reportagem de VEJASAOPAULO.COM devolveram os envelopes vazios. As máquinas de cartão de crédito e débito pouco foram utilizadas também.
Ao encerrar o culto de cerca de duas horas e meia, o pastor Fabio fez sua aposta: “No ano que vem, vamos comemorar o nosso primeiro ano de vida no Credicard Hall.” Em meio a palmas e risos, os fieis respondiam “gloria a Deus, Senhor!”.
FONTE: VejaSP